Seu Jorge é alvo de ataques racistas em show em clube de Porto Alegre

O cantor Seu Jorge foi alvo de ataques racistas em show no Grêmio Náutico União, em Porto Alegre, na última sexta-feira, de acordo com diversos relatos nas redes sociais. Um dos depoimentos mais compartilhados no Twitter diz que ele foi chamado de "vagabundo", "safado" e foram ouvidos gritos imitando macacos depois que ele voltou ao palco para o bis. O que teria sido o estopim para os atos racistas da plateia foram o fato de Seu Jorge, antes de se despedir pela primeira vez, ter levado ao palco um jovem negro para tocar cavaquinho e discursado contra a maioridade penal e os assassinatos de outros jovens negros moradores de comunidades pobres.

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A equipe do artista foi procurada e disse que não ia "se manifestar sobre o ocorrido" - narrado as redes sociais. O GLOBO entrou em contato com o Grêmio Náutico União neste domingo e foi informado de que era melhor ligar na segunfa-feira pois ninguém da diretoria estava disponível. O artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal, estabelece a pena de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem comete o crime de injúria racial. Este crime geralmente está associado ao uso de palavras depreciativas ou violência em relação "a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima", conforme redação do Código Penal.

Nas redes sociais do clube, o show foi anunciado como parte da reinauguração do "Salão União, localizado na sede Alto Petrópolis (Av João Obino, 300). O Salão já foi palco de grandes eventos do Clube, como os tradicionais Bailes de Debutantes, Festas de Carnaval Infantil, entre outras celebrações."

Até dia 30 de setembro, os ingressos custaram, para sócios, R$ 450; para não sócios, R$ 585. A partir de 1 de outubro, associados pagaram R$ 500; não associados, R$ 650.