Seu Jorge e Mel Lisboa estreiam série de ficção científica sobre a pandemia e refletem sobre passado e futuro

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Apandemia bagunçou a noção de tempo. Fez hábitos tão novos, como o uso de máscaras, parecerem naturais rapidamente. Enquanto uma realidade recente, em que podíamos nos aglomerar, soa como um passado longínquo. Pois a série em áudio “Paciente 63” estreia na próxima quinta-feira discutindo tudo isso e mais um pouco, com a Covid-19 como tema central. Protagonizado por Seu Jorge e Mel Lisboa, o novo podcast do Spotify conta a história de um homem, Pedro, que vem do futuro para tentar combater o perigo que o vírus se tornará ao longo de novas pandemias. O “viajante”, no entanto, acaba sendo tratado pela psiquiatra Elisa Amaral como delirante. A trama fez o ator e cantor pensar como o novo sempre vem e pode parecer mesmo enlouquecedor.

— Tive uma avó que morreu aos 105 anos. Uma vez, demos um micro-ondas para ela. Ela olhava aquilo e parecia algo do futuro. Ela já estava no futuro, mas ainda com um temperamento do passado, que não ia mudar. Tínhamos que ensinar que aperta um botão aqui, outro ali. No terceiro botão, ela já não queria mais aprender. Ia para o fogão, porque era como sabia fazer. Mas o novo tá aí, e ele vai acontecer naturalmente — analisa Seu Jorge, que também se imagina na outra posição: — Há histórias que vou contar lá na frente a alguém interessado em saber como era o momento em que vivíamos com liberdade, onde beijar na boca era muito simples (risos). Hoje, é complicado. Você tem que escanear um teste (de Covid-19) e mandar. A vacina reduz os riscos, mas não garante que você não vai pegar a doenaça. Ou seja, o teste ainda é necessário para beijar na boca.

Ao pensar em 2062, ano em que seu personagem vivia antes de viajar no tempo, o artista, de 51 anos, acha que não estará mais aqui, o que provoca uma reação imediata de Mel na entrevista:

— Ah, claro que vai!

Pensando no mundo que ficará para ela, seus filhos e netos, a atriz, de 39, quase acredita no personagem de Seu Jorge.

— Tudo que ele fala eu penso que poderia acontecer na realidade. As coisas estão mudando de uma forma tão rápida. A diferença de gerações entre a minha e a da minha mãe não é tão grande como a da minha para a dos meus filhos — reflete a artista, que é mãe de Bernardo, de 12 anos, e Clarice, de 9, e filha da famosa astróloga Claudia Lisboa.

Histórias por trás da história

Cansado, o mundo acaba

O personagem Pedro fala de fatos do futuro. Entre eles, um apagão de dados no planeta e novas pandemias que culminam com o fim do mundo. Sim, o planeta é vencido pelo cansaço. “Para quem nasce hoje, a máscara é mais um adereço da roupa. O quadro que temos é claro: enquanto uma única pessoa ainda tiver essa doença, corremos risco no mundo”, reflete Seu Jorge.

Tá em casa

Também músico, Seu Jorge levou a experiência dos estúdios de gravação para a série. “Microfones não são mistério para ele, isso fez fluir as experimentações que levaram à identidade do personagem”, conta o diretor de “Paciente 63”, Gustavo Kurlat.

Delírios da realidade

Vivendo uma psiquiatra, Mel Lisboa alerta para os cuidados com doenças psíquicas, que cresceram com a pandemia: “Temos que ter atenção, muita gente não respeita doenças da mente, consideram frescura. Tem gente que está sofrendo mesmo e precisa de ajuda profissional”.

Mensagem

Seu Jorge vê a série como um alerta à humanidade e pensa sobre o mundo atual. “Hoje, nós carecemos de uma liderança que nos inspire. Não uma liderança política. Recentemente, uma menina de 13 anos estava viajando o mundo, discutindo clima e apertando a mão de todos os líderes. Com 17, estava na lista da Forbes como uma das (pessoas) mais influentes. Liderança não está na cadeira do poder. Quem quer alguma transformação se elege neste lugar e batalha”, pontua Seu Jorge sobre a ativista sueca Greta Thunberg.

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