Seul, Tóquio e Pequim anunciam retomada de cooperação

Os líderes da Coreia do Sul, China e Japão deixaram de lado neste domingo suas rivalidades históricas e territoriais para anunciar a sua intenção de cooperar novamente em questões comerciais e de segurança durante uma cúpula trilateral.

A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye, e os primeiros-ministros japonês e chinês, Shinzo Abe e Li Keqiang, conversaram durante uma hora e meia em Seul a respeito de uma série de temas, do livre comércio ao programa nuclear da Coreia do Norte.

Nenhum acordo específico foi anunciado nesta cúpula, mas apenas a sua organização já era considerada altamente simbólica, dada as disputas históricas entre os três países.

"Nós compartilhamos a ideia de que a cooperação trilateral foi completamente restaurada por ocasião desta cúpula", afirmaram em um comunicado conjunto.

Os líderes também decidiram por organizar anualmente uma tal cúpula trilateral. A próxima será realizada em 2016, no Japão.

China, Coreia do Sul e Japão - as três maiores economias do nordeste asiático - tinham lançado há sete anos o princípio de uma cúpula anual. Mas em razão das tensões entre Seul e Tóquio, nenhuma nova reunião trilateral foi organizada desde 2012.

A economia foi o foco das discussões deste domingo, num momento em que Pequim, em plena desaceleração econômica, deseja impulsionar e estreitar suas relações comerciais com seus dois vizinhos.

A declaração conjunta evoca um compromisso específico para um acordo de livre comércio trilateral, que iria competir com o Tratado de Livre Comércio Transatlântico (TPP), criado pelos Estados Unidos, mas que nem Pequim nem Seul vão participar.

Os três também afirmaram a sua "firme oposição" ao desenvolvimento de armas nucleares na península coreana.

Park indicou que a reunião havia sido "um grande passo para a paz e a segurança" no nordeste asiático.

"Nós compartilhamos esse interesse (...) e nós devemos mantê-lo, a fim de alcançar a desnuclearização da Coreia do Norte", disse ela, coincidindo com a visita do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, à zona desmilitarizada (DMZ) entre as duas Coreias.

Após esta cúpula trilateral, a atenção se voltará para a primeira reunião bilateral na segunda-feira em Seul entre Park e Abe.

Até então, a presidente sul-coreana rejeitava qualquer encontro com o líder japonês, em parte devido à questão muito sensível na Coreia das "mulheres conforto", as milhares de mulheres asiáticas forçadas a se prostituir nos bordéis do exército Imperial japonês durante a Segunda Guerra Mundial.

Além disso, a Coreia do Sul acusa Tóquio de não se responsabilizar pelo tratamento do império japonês com os coreanos em tempos de guerra. Abe já expressou arrependimento, mas não pediu desculpas oficialmente pelo passado militarista de seu país.

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