Sexta noite de protestos na Catalunha pela prisão de rapper

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Manifestantes seguram um cartaz com os dizeres "Liberdade Pablo Hasél", em Madri, em 20 de fevereiro de 2021

Pela sexta noite consecutiva, manifestações em defesa do rapper preso Pablo Hasél foram realizadas neste domingo (21) em Barcelona, com vários conflitos, ainda que sem os fortes distúrbios que marcaram os dias anteriores.

Com gritos de "Liberdade Pablo Hasél", várias centenas de pessoas se reuniram em frente à estação ferroviária de Sants, fortemente vigiada pela tropa de choque da polícia da Catalunha, a Mossos d'Esquadra, mostraram imagens da AFPTV.

Depois, os manifestantes marcharam em direção ao centro da capital catalã.

Ali, em frente ao quartel-general da Polícia Nacional na Via Laietana, um grupo com os rostos cobertos atirou garrafas, bombinhas e outros objetos contra os agentes que vigiavam o prédio.

A certa altura, a polícia avançou e forçou os manifestantes a se afastarem da sede, conforme mostrou a AFPTV.

Em outras partes do centro de Barcelona, como nas Ramblas, alguns grupos montaram barricadas com materiais urbanos e continuaram atirando objetos contra a polícia.

Pelo menos oito pessoas foram presas, cinco das quais quebraram a vitrine de uma loja de roupas e tentaram roubá-la, segundo a Mossos d'Esquadra. Nove policiais ficaram feridos.

As altercações não foram, porém, tão graves quanto as que ocorreram em todas as noites desde que o rapper foi preso na terça-feira, com protestos mais cheios e tomados por eventos violentos.

Desde terça, as ruas da segunda maior cidade da Espanha se tornaram palco de grandes confrontos entre manifestantes e policiais, com barricadas, incêndios, vandalismo e saques.

Cem pessoas foram detidas pela polícia em Barcelona e outras cidades catalãs, de acordo com as autoridades.

As manifestações a favor de Hasél também se estenderam nos últimos dias a outros locais, como Madri.

Hasél, de 32 anos e com antecedentes criminais, foi condenado a nove meses de prisão por tweets em que insultava a monarquia e a polícia e elogiava pessoas envolvidas em crimes de terrorismo.

A prisão do rapper reacendeu o debate sobre a liberdade de expressão na Espanha e aprofundou as diferenças dentro da coalizão governamental, entre os socialistas, do presidente Pedro Sánchez, e o partido Podemos (esquerda radical), que tem defendido os protestos.

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