Shaqiri, da Suíça, vira alvo de polêmica internacional após ser vestido com casaco de organização militar pró-Kosovo

A atitude de um suposto torcedor após a vitória por 2 a 0 da Suíça sobre a Irlanda do Norte, no último sábado, voltou a esquentar discussões diplomáticas entre Sérvia, Kosovo e Albânia. Durante uma entrevista, um homem colocou nos ombros do jogador um casaco com o emblema da Ushtria Clirimtare e Kosoves (UCK), o Exército da Libertação do Kosovo, organização militar que atuou na Guerra do Kosovo pela independência da região no fim dos anos 90. Assista:

Durante a entrevista, Shaqiri se surpreende com a atitude do homem e parece perceber o emblema da UCK no casaco. Logo após, ele o tira, sob risos. O curto momento, registrado por emissoras que transmitiam a entrevista, gerou a ira de dirigentes sérvios, que divulgaram comunicado de repúdio.

A UCK, que já chegou a ser considerada terrorista até a dissolução da Iugoslávia, lutou pela saída do Kosovo da antiga nação. Já após a dissolução, passou a lutar pela independência do território em relação à Sérvia. O grupo tinha forte ligação com a Albânia dada a etnia de parte dos kosovares, originários de albaneses. Hoje, o Kosovo é uma nação parcialmente reconhecida por quase 100 países, após declarar independência em 2008.

"Estamos preparando uma carta de protesto e a enviaremos à Fifa. Queremos reações imediatas e sanções mais estritas em relação a Shaqiri por promover a organização terrorista KLA (sigla em inglês da UCK) durante uma entrevista à imprensa", anunciou, via nota, o secretário-geral da Associação de Futebol da Sérvia, Jovan Surbatovic.

No comunicado, os sérvios informam ainda que buscarão reparação em relação a um ocorrido na partida entre Suécia e Kosovo, também no sábado. Durante a partida (vitória dos suecos por 3 a 0), em Estocolmo, bandeiras da Albânia foram vistas nas arquibancadas, e as fotos foram publicadas no site da federação kosovar.

"Também tomaremos medidas contra a Associação de Futebol do Kosovo por destacar o slogan "Kosovo é Albânia" e propagar a ideia de uma "Grande Albânia" durante a partida contra a Suécia. Usaremos todos os mecanismos legais para que esses eventos sejam removidos do futebol", encerra a nota.

A Federação da Suíça saiu em defesa de Shaqiri. Também em nota, o comportamento do jogador do Lyon foi citado como "exemplar". A federação afirma que o homem que colocou o casaco no atleta foi interrogado pela polícia e proibido de acessar o estádio.

"É inaceitável que as pessoas abusem de um estádio de futebol ou, neste caso, de uma entrevista com um jogador após o jogo, para propaganda política. Xherdan Shaqiri reagiu de maneira exemplar. Ele permaneceu calmo e não reagiu", diz a nota.

Não é a primeira polêmica de Shaqiri envolvendo a crise entre Kosovo, Albânia e Sérvia. Em 2018, o jogador nascido em Kosovo comemorou o gol da vitória sobre a Sérvia, na Copa do Mundo da Rússia, fazendo o símbolo de águia com as mãos, o que foi interpretado como uma menção à bandeira da Albânia. Na época, o jogador não quis comentar se realmente se tratava de uma provocação política.

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