Sheik dos bitcoins contou com parceiro de golpes para lavar R$ 100 milhões

Investigações da Polícia Federal descobriram que Francisley Valdevino da Silva, o Sheik dos Bitcoins, recebeu ajuda de outro acusado de golpes com criptomoedas, Vinicius Zampieri Marinho, para lavar R$ 100 milhões em recursos de clientes lesados. A transação ocorreu em 2021, um ano antes de ambos serem presos, em operações distintas da PF, por construir pirâmides financeiras disfarçadas de investimentos em criptomoedas.

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Preso anteontem, em desdobramento da Operação Poyais, Francisley se encontra na Cadeia Pública de Curitiba. Ele é acusado de aplicar um golpe de cerca de R$ 1 bilhão ao prometer falsos juros de 13,5% ao mês pelo aluguel de bitcoins dos clientes. Já Vinicius Zampieri foi preso em setembro, na Operação Colossus, sob a acusação de montar uma rede de empresas envolvidas em compra fraudulenta de bitcoins para lavar dinheiro.

Os investigadores da PF encontraram semelhanças entre Francisley, que preferia ser chamado de Francis da Silva, e Vinicius Zampieri. Ambos usavam as redes sociais para exibir sinais de riqueza e angariar clientes. Francis ganhou dos amigos o apelido de Sheik por circular em jatinhos, carros de luxo e lanchas, morar em mansões e passar boa parte do tempo em viagens internacionais, especialmente para Dubai.

A lavagem dos R$ 100 milhões, no ano passado, ocorreu no mesmo momento em que Francis deixava de pagar os clientes, entre os quais Sasha Meneghel, filha de Xuxa, que junto com o marido investiu R$ 1,2 milhão com o Sheik. Recolhido à Cadeia Pública de Curitiba, reservou-se ao direito de permanecer calado enquanto aguarda a decisão da Justiça aos recursos da defesa para libertá-lo. Vinícius já está solto.

O esquema de lavagem de Vinicius, de acordo com as investigações, consistia em usar laranjas para a aquisição de criptomoedas no exterior (Estados Unidos, Cingapura e Hong Kong) e vendê-las no Brasil a pessoas interessadas em evadir recursos. Um dos clientes foi o Sheik, constatou a PF. A Colossus não descarta a hipótese de lavagem para quadrilhas de narcotraficantes e contrabandistas.

A defesa de Francisley pediu a revogação da prisão ao alegar que o ato é ilegal, uma vez que o cliente teria cumprido as exigências legais de ficar afastado da gestão das empresas para continuar em liberdade. Se a 23ª Vara Criminal de Curitiba, responsável pela prisão, negar a soltura, os advogados pretendem ingressar com um pedido de habeas corpus junto ao Tribunal de Justiça do Paraná.

Advogados de clientes lesados pelo Sheik, no entanto, comemoraram a prisão. Eles disseram que a medida, no mínimo, cessa a sensação de impunidade que aumentava o sofrimento dos clientes:

— Ainda que a prisão diminua nas vítimas o sentimento de impunidade, cabe frisar que a medida visa a única exclusivamente tutelar o processo, impedindo que Francisley atrapalhe o seu andamento. Porém, para ressarcimento das vítimas ainda se faz necessário aguardar a conclusão do devido processo legal. Até o presente momento , ante qualquer sinalização de devolução voluntária por parte dos acusados — disse o advogado Jorge Calazans.

utro advogado que lida com os clientes lesados, Jeferson Brandão, disse que a prisão é apenas o começo de uma luta:

— A luta dos clientes de Francisley está começando a ser correspondida pelos órgãos judiciais, mas ainda há muito o que fazer, pois esse suposto golpe não foi feito apenas por ele e sim por uma rede de pessoas que também estão sendo investigadas e que em breve, esperamos que sejam presas.

Procurado por intermédio dos perfis nas redes sociais, Vinicius não foi localizado para comentar a reportagem.