Sheik manteve pirâmides mesmo após ser alvo de operação da PF

A Justiça paranaense ordenou a prisão de Francisley Valdevino da Silva, o Sheik dos Bitcoins, após a Polícia Federal (PF) reunir provas de que ele continuava com o esquema de pirâmide financeira, disfarçada de investimentos em criptomoedas, mesmo tendo sido alvo de uma operação policial, a Poyais, no início de outubro. As investigações do último mês constataram que Francis criava e geria sistemas virtuais de pirâmides financeiras mesmo depois de ter dado um calote milionário nos clientes.

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De acordo com as investigações da PF, o grupo liderado pelo Sheik, além de promover fraudes no Brasil e no exterior, desenvolvia e comercializava plataformas e sistemas virtuais para terceiros interessados na prática de golpes semelhantes. Recentes encontros de Francisley com funcionários da área de criação de plataformas virtuais, segundo a Polícia, se destinavam a criação e manutenção de outros sistemas virtuais, oferecidos a terceiros e, possivelmente, usados para promoção das mesmas práticas criminosas.

Uma das provas mais importantes foi extraída de outra operação da PF, a Bad Bots, na qual duas pessoas responsáveis por outro esquema de frande com criptomoedas citaram em depoimento o envolvimento de Francisley. Eles contaram que o sistema virtual usado para essas fraudes foi criado e mantido pelo grupo do Sheik,

Ao autorizar a operação de outubro, a 23ª Vara Federal de Curitiba havia determinado também que Francisley não poderia continuar a administrar suas empresas ou praticar atos de gestão no interesse de seu grupo econômico. As investigações, porém, comprovaram que o Sheik passou a promover encontros frequentes, em sua residência nesta Curitiba, com funcionários de suas empresas.

Uma das empregadas é a gerente financeira de seu grupo, e outro empregado identificado é o responsável pelo designer gráfico das plataformas virtuais criadas pelo investigado para a prática das fraudes. Com a constatação, a Justiça concedeu a prisão preventiva.

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Francisley, que preferia ser chamado de Francis da Silva, foi apelidado pelos amigos mais próximos de Sheik dos Bitcoins pela ostentação de riqueza, que incluía jatinhos particulares, mansões cinematográficas, carros de luxo, lanchas e viagens constantes, principalmente para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O golpe do seu esquema consistia em “alugar” criptomoedas junto aos clientes, pagando juros mensais com taxas muito acima do mercado financeiro - chegou a até 13,5%.

No fim do ano passado, Francis parou de pagar. Uma das clientes lesadas foi Sasha Meneghel, filha de Xuxa, que conheceu o negócio de Francis por frequentar um templo evangélico. Empolgados, ela e o marido, o cantor João Figueiredo, fizeram aportes que totalizaram R$ 1,2 milhão. Em abril deste ano, após o calote, ambos processaram o empresário na Justiça de Curitiba.

Outros nomes conhecidos fizeram negócios com Sheik. Com o pastor Silas Malafaia, Francis montou a AlvoX Negócios, que ofertava softwares e recursos tecnológicos para um público cristão. Uma das oportunidades era a revenda de produtos gospel, como livros e bíblias, com ganhos de 10% do valor da mercadoria. Ele também repassou um jato para a WS Shows Ltda, do cantor Wesley Safadão, para amortizar o pagamento de uma dívida.