Show gratuito de Geraldo Azevedo é destaque de evento em Madureira

Literatura escrita de forma rimada, originada de relatos reais e impressos em folhetos. Assim pode ser definido o cordel, o grande protagonista do 4º Encontro de Poetas Populares, que começa nesta quinta-feira (28) e vai até domingo, 31 de julho, na Arena Carioca Fernando Torres, em Madureira. O evento gratuito oferece ao público nestes quatro dias, das 14h às 20h, uma série de oficinas, debates e shows sobre a vasta cultura da literatura de cordel. Ao todo são 20 atrações, entre elas uma apresentação do cantor e compositor Geraldo Azevedo, que fecha a festa com chave de ouro, domingo (31), às 19h, cantando os maiores sucessos de sua carreira.

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— Na minha infância, as histórias que conhecíamos nos chegavam através da literatura de cordel. Fui criado folheando estes livrinhos e, como violeiro, busquei inspiração nos seus elementos para compor. Em 1975, fiz com Zé Ramalho a trilha sonora de “Cordel, repente e canção”, um filme muito emblemático desta cultura, dirigido por Tânia Quaresma. Posso dizer que o cordel está muito vivo na minha vida e eu estou muito vivo na vida do cordel — diz o artista pernambucano, que promete cantar hits como “Dia branco”, “Táxi lunar” e “Dona da minha cabeça”.

Poetisa de cordel e curadora do evento, Rosário Pinto, moradora da Tijuca, ressalta a importância de levar esta cultura com forte presença no Nordeste para os nordestinos que vivem no Rio, para os cariocas e para quem mais quiser se encantar com esta manifestação artística.

— O Encontro de Poetas Populares é uma fonte de inspiração, seja na música, na dança, no teatro ou nas artes cênicas. Vale registrar que este é um evento destinado a pessoas de todas as idades e origens. Pretendemos mostrar que a literatura de cordel permanece em constante evolução. O cordel vai para além de um gênero literário; é um sólido registro da cultura contemporânea — afirma ela.

Fernando Assunção, produtor e curador do encontro que promete agitar Madureira nos próximos dias, explica o que significa levar esta cultura para um território suburbano que é a cara do Rio:

— Estar em Madureira representa difundir o cordel, entendendo que o subúrbio e as periferias têm, a partir dos anos 1960, um histórico de ocupação pelos migrantes nordestinos. Portanto, será um reencontro de gerações: pais e filhos e estarão juntos curtindo uma das expressões artísticas mais lindas e ricas que a cultura nordestina produz, e que está inserida no imaginário brasileiro. É como se todos nós tivéssemos, apesar da distância, uma ligação com o Nordeste.

Assunção ressalta que a literatura de cordel é um bem de patrimônio cultural do Brasil, assim como o samba, a capoeira e o jongo, e lembra que ela está viva, atuante e potente.

— Nosso objetivo neste evento também é divulgar os poetas populares entre crianças e jovens para despertar nas novas gerações o interesse pela cultura tradicional do nosso país — observa.

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