Show de R$ 1 milhão de Gusttavo Lima em Magé (RJ) tem fogos, furtos e prefeito no palco

Era 23h10 quando Gusttavo Lima subiu no palco da Arena Magé, meia hora antes do previsto. Fogos de artifício davam boas vindas ao cantor sertanejo que recebeu um cachê de R$ 1,04 milhão bancado pela Prefeitura de Magé, na Baixada Fluminense, para cantar no aniversário da cidade. Aliás, não faltaram fogos. Ao longo do show, foram quatorze vezes que os efeitos pirotécnicos apareceram, fora a queima de oito minutos sem parar na hora do parabéns entoado por Gusttavo.

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A reação das pessoas ao show era de emoção e felicidade. Eram constantes comentários como “nosso prefeito é o melhor” ou “parabéns ao prefeito”. Káthia Estrela, rainha da cavalgada de Magé, elogiou o profissionalismo do cantor. A exceção foi um grupo de adolescentes de 15 anos que aproveitou para desabafar:

— Esse um milhão deveria ter sido investido em outras coisas. Não tem hospital em Magé, as escolas estão caindo aos pedaços, as ruas estão horríveis. Mas já que o dinheiro era nosso mesmo, a gente resolveu vir.

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Gusttavo Lima entrou no clima da festa lotada que tinha capacidade para 100 mil pessoas. Divertido, contou piada, botou um óculos escuros com as lentes escritas #aibb, dançou agarradinho com David Brazil, convidado para chamar Gusttavo ao palco, jogou brinde para a plateia, chamou a dupla natural de Magé Rômulo e Ricardo para cantar com ele e entregou duas horas de show — inicialmente seria de uma hora e meia — com um repertório que foi de “Balada”, um de seus primeiros sucessos, até “Termina comigo antes”, um dos últimos lançamentos.

O sertanejo foi discreto e não fez nenhuma declaração direcionada à polêmica dos cachês. Mas depois de uns trinta minutos de show se referiu ao prefeito de Magé.

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— Alô, prefeito. Aquele abraço, tamo junto — disse ele, ao som da música "Homem de família".

Com uma plateia que cantou do início ao fim, o show correu normalmente, sem tensão, sem questionamento ou protesto. Furtos, no entanto, fizeram parte da noite. Dar uma volta na Arena era ouvir alguém reclamando ou nervoso por ter tido o celular levado.

Essa foi a primeira apresentação de Gusttavo Lima desde que a Justiça começou a investigar possíveis irregularidades na contratação de artistas que culminou, até agora, no cancelamento de duas apresentações: em Teolândia, na Bahia, e em Conceição do Mato Dentro, Minas Gerais. Nesta, a verba de R$ 1,2 milhão destinada à Gusttavo deixou de ser usada em áreas como Educação e Saúde.

Em Magé, pelo o que alega a prefeitura, eles não tiraram o dinheiro de lugar nenhum, mas resolveram pegar a quantia recebida pela privatização da Cedae e investir no aniversário da cidade. Fato esse que foi lembrado antes que Gusttavo subisse ao palco.

— Nos últimos dias fomos massacrados, alvos de fake news. Mas batemos o pé e vai ter Gusttavo Lima sim. Este ano foi de improviso, mas ano que vem tem mais — anunciou o prefeito Renato Cozzolino recebido com aplausos e gritos de comemoração do público.

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