Shows com grandes celebridades aproximam Black Friday do Brasil do modelo chinês

Glauce Cavalcanti
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RIO - Com o salto nas vendas digitais trazidos pela pandemia, varejistas estão atentos à oportunidade desta Black Friday e anteciparam os descontos em um mês. Na disputa, cresce um novo quesito: casar a data com eventos de entretenimento com grandes nomes da música e do mundo digital.

O Magalu prepara show com transmissão ao vivo com estrelas como Anitta, Zé Neto e Cristiano e outros. A Via Varejo lançou campanha com Mumuzinho, MC Kekel e Maiara e Maraísa. É a virada do live marketing, estratégia para fidelizar o consumidor, criar identificação com a marca e, com isso, estimular vendas.

A Black Friday deste ano deve registrar aumento de 27% nas vendas na comparação com a edição do ano passado, segundo estimativa do Ebit Nielsen, considerando o volume de transações que serão realizados num período de novo dias encerrados em 27 de novembro.

Os esforços voltados para o mundo digital e a consolidação das marcas não são à toa. Relatório da consultoria GsK aponta que mais da metade (54%) dos consumidores que planejam fazer compras na Black Friday deste ano vão trocar o canal físico pelo digital. Só no terceiro trimestre, o aumento nas vendas do comércio eletrônico no país foi de 43,5% na comparação com igual período de 2019.

No mundo digital, as grandes varejistas estão acompanhando o modelo chinês de atuação, que combina promoções com super eventos. Não por acaso, o AliExpress contratou a cantora Gretchen, entre outros artistas, para estrelar a campanha o Dia do Solteiro — a maior data do varejo da China — no Brasil, realizada em 11 de novembro.

O show da Black Friday do Magalu, anunciado hoje pela companhia, vai reunir, além de Anitta e Zé Neto e Cristiano, destaques como Barões da Pisadinha e Gloria Groove. Terá transmissão pelo canal Multishow, no Globoplay, e em outras plataformas digitais.

Ana Paula Rodrigues, Diretora de Marketing do Magalu, explica que o evento deste ano será “muito maior” que o de 2019 — que fora, até ali, a maior ação de branding já realizada pela varejista. Ela lembra que a empresa faz lives que aliam vendas e entretenimento desde 2014.

— O Show da Black das Blacks vem muito mais com o objetivo de construir a imagem da marca como plataforma de vendas e oferecer também o entretenimento, do que somente a questão promocional — frisa ela. — E será muito maior. A empresa mudou de patamar. Em nove meses, vendemos mais do que o ano passado todo. Isso vai se refletir na Black. Temos cinco bilhões de reais em estoque. Ou seja, teremos muitas promoções e produtos que são sonho dos clientes.

A empresa vem colhendo resultados de seu investimento crescente para se tornar uma plataforma digital de varejo. No terceiro trimestre, as vendas pelo e-commerce subiram 148,5% contra julho a setembro de 2019. E bateram mais de dois terço das vendas totais. Com isso, em nove meses de 2020, o Magalu já ultrapassou o total de vendas do ano passado.

A Via Varejo (dona de Pontofrio e Casas Bahia) também avança após a mudança da gestão da companhia em meados de 2019. No terceiro trimestre deste ano, viu suas vendas pelo comércio eletrônico crescerem 2019% em relação a igual período do ano passado. Já equivalem a 42% das vendas totais do grupo.

Uma das vantagens para esse crescimento a ser explorada na Black Friday, conta a executiva do Magazine Luiza, é o aumento do sortimento de produtos e mais categorias, como moda, beleza e artigos esportivos — a Netshoes, adquirida pela companhia em 2019, subiu a líder em vendas no segmento no país —, e principalmente itens de mercado, como alimentos e artigos de limpeza.

— Teremos uma estratégia de conteúdo atrelada a essas categorias, pois somos uma plataforma digital com pontos físicos e calor humano e iremos transmitir isso para o consumidor. O Show da Black das Blacks vem muito mais com o objetivo de construir a imagem da marca como plataforma de vendas e oferecer também o entretenimento, do que somente a questão promocional — conta Ana Paula.

A pandemia trouxe dois desafios ao varejo este ano, destaca a GsK. Um deles é alta de insumos precificados em dólar, que impactou o valor de uma diversidade de produtos, sobretudo dos eletroeletrônicos. O outro é a falta de artigos em consequência a garagalos na indústria. Como isso vem reduzindo a margem de lucro das grandes companhias, a previsão da consultoria é de que nesta Black Friday os descontos sejam menores.

O Magalu frisa que terá descontos de até 80%, sem especificar se, na média, estarão abaixo dos oferecidos em 2019. Avalia ainda que, a despeito da redução do auxílio emergencial, o brasileiro já aguarda as promoções da data para adquirir os produtos que deseja.