Shows em série: agenda cultural é retomada em formato híbrido

Madson Gama
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Divulgação/Gil Pera

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Divulgação/Gil Pera

RIO — Semanas após a comoção causada pelo fechamento definitivo do Metropolitan, inaugurado em 1994 no Via Parque, a movimentação em espaços para grandes espetáculos na Barra da Tijuca serve de consolo para fãs de diferentes gêneros. A partir deste mês, apesar de todas as restrições decorrentes da pandemia, a programação volta a ser extensa, nos formatos presencial, virtual ou híbrido.

Com apenas 25% de sua capacidade total, a Jeunesse Arena reabre as portas para um público de até 2.500 pessoas no dia 21, sábado, às 17h, com o musical “Luccas Neto e a escola de aventureiros”. O evento com youtuber que agrada às crianças poderá ser visto no local ou pela internet. O show infantil incluirá danças e efeitos especiais e terá como tema a importância do afeto nas relações do dia a dia.

A arquibancada terá assentos marcados e com distanciamento de dois metros entre as pessoas, além de setores específicos com assentos para casais e famílias. A Jeunesse Arena também oferecerá lounges fechados com mesas para até seis pessoas. O camarote familiar é outra opção. São 54, com capacidade para seis pessoas e acesso exclusivo. Haverá totens com álcool em gel espalhados por todo o espaço, placas com orientações sobre as medidas de prevenção contra o coronavírus e aferição de temperatura do público. O uso de máscaras será obrigatório.

— Por sermos uma arena multiuso e grande, conseguimos adaptar bem a parte interna, até para não haver problemas caso chova — explica a diretora do espaço, Silvia Albuquerque. — Na quadra, que pode virar pista, instalamos 174 lounges, que comportam de quatro a seis pessoas, dependendo do formato de show. E cada setor terá um acesso diferente, para evitar aglomeração.

A Jeunesse Arena tem ainda vários shows confirmados para dezembro: Alceu Valença e Lenine (dia 4), Nando Reis (5), Thiaguinho (12) e Capital Inicial (19). Os ingressos serão vendidos pela internet e no local.

O Espaço Hall, na Avenida Ayrton Senna, onde antes ficava o Barra Music, anuncia a reabertura para o dia 13, sexta que vem, às 21h, com o Roupa Nova, que está completando 40 anos. O show está confirmado, embora Paulinho, o principal vocalista do grupo, esteja combatendo a Covid-19, doença que contraiu enquanto se recuperava de um transplante de medula óssea. Os ingressos só serão vendidos pela internet e antecipadamente. Além de marcações no chão para delimitar o distanciamento na plateia, haverá tapetes sanitários. O local reabrirá com 50% da capacidade, comportando 3.300 pessoas.

— O público poderá ficar em pé ou sentado, em mesas ou em lounges, dependendo do formato do show — explica o diretor do Espaço Hall, Maurício Dutt.

Voltando aos poucos, público prefere espaços ao ar livre

A Cidade das Artes, que retomou as atividades em outubro, criou o projeto Jardim das Artes, com eventos de naturezas diversas em sua área externa. Quando há shows, são disponibilizados 150 lounges, com capacidade para seis pessoas cada, devidamente separados uns dos outros. A proposta tem sido oferecer eventos gratuitos: durante o dia, muitos são voltados para o público infantil.

— Entendemos que neste momento de pandemia as pessoas se sentiriam mais à vontade e protegidas em lugares com atividades ao ar livre. Eu acredito que este modelo vai continuar por muito tempo. Enquanto não houver uma vacina para a Covid, vai ser muito difícil termos pista de dança — declara a presidente da Fundação Cidade das Artes, Renata Monteiro.

Outra medida de segurança foi informatizar processos para evitar aglomeração. Os serviços de alimentação e a marcação na fila para ir ao banheiro são feitos, exclusivamente, por aplicativo. E a capacidade de público foi reduzida de nove mil para 900 pessoas.

Os eventos no Jardim das Artes são realizados às sextas e aos sábados, a partir das 20h; e aos domingos, a partir das 15h. A agenda está movimentada: as próximas apresentações confirmadas serão de Mart’Nália e Sandra de Sá (dia 20), Ludmilla (21) e Diogo Nogueira (12 de dezembro). Todos os eventos, inclusive os gratuitos, exigem reservas feitas exclusivamente pela internet.

Outro projeto nascido durante a pandemia foi o Cidade Digital, com eventos híbridos: tem shows exibidos nas salas da Cidade de Artes e transmitidos também pela internet, através da plataforma Netshow.me. O próximo neste formato será de Maria Rita, em 11 de dezembro, às 21h30m. O concerto que será realizado na Grande Sala, onde poderão estar até até 600 pessoas, vai se chamar "Voz e violão" (o tributo a Ella Fitzgerald, previsto inicialmente, foi adiado, devido à dificuldade de reunir os músicos).

O teatro da Cidade das Artes também já está funcionando, com 50% da capacidade (500 lugares), assim como a sala de leitura.

— A casa está aberta, inclusive, com a exposição de uma maquete do Rio de Janeiro feita com peças da Lego, a maior da América Latina criada com esse material — conta Renata.

O Teatro Multiplan — que fica no VillageMall e, desde o início do ano, deixou de ser operado pela Opus Entretenimento e adotou uma nova estratégia de programação, com exibição de espetáculos inéditos — terá como atração, nos dias 21 e 22, o show “Bossa nova in concert”. Hamilton de Holanda, Paula Morelenbaum, Jaques Morelenbaum e Wanda Sá estarão reunidos, pela primeira vez, numa homenagem a Tom Jobim. Os músicos apresentarão sucessos do gênero que ganhou o mundo nos anos 1960 ora em duplas, ora sozinhos. Clássicos como “Chega de saudade” e “Garota de Ipanema” estão garantidos no repertório.

— Voltamos em outubro e notamos que a procura pelos espetáculos vem aumentando de forma gradual; o público está se adaptando ao novo cenário — afirma o gerente-geral do espaço, Nilton Santana. — E quem nos procura está em busca de programas culturais de qualidade, mas sem abrir mão da segurança.