Sidney Magal fala sobre melhor forma de se definir: 'Sou um cantor brasileiro, latino, que solta a franga'

Amante latino. Dono do coração da mulher brasileira. Mistura de Elvis Presley e John Travolta. Sidney Magal foi descrito de diversas formas ao longo de seus quase 60 anos de carreira. Para o artista, a melhor forma de se definir é: “Um cantor brasileiro, latino, que solta a franga.”

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Aos 72 anos, Magal é tema do documentário “Me chama que eu vou”, de Joana Mariani, que chegou ontem aos cinemas, mais de dois anos após conquistar um Kikito de melhor montagem no Festival de Gramado de 2020. O longa ajuda a reforçar uma espécie de “magalmania”. Em 2021, o cantor participou do reality musical “The masked singer Brasil”. No ano seguinte, houve dois musicais sobre ele: “Quero vê-la sorrir — O musical”, no Rio, e “Sidney Magal: muito mais que um amante latino”, em São Paulo. Para 2023, além do doc, estão previstas uma exposição em São Paulo, com figurinos de toda sua carreira, e uma cinebiografia, “O meu sangue ferve por você”, de Paulo Machline.

— No início, achei um pouco estranho todos esses projetos. Fiquei com medo. Geralmente, fazem isso quando a gente morre ou está perto de morrer — brinca Magal. — Mas agora estou vivenciando tudo isso. É sinal de que a minha carreira tem um peso, que significa uma coisa positiva. De alguma maneira, atingi o coração de muitas pessoas.

Histórias delicadas

Joana conheceu Magal no início dos anos 2000, quando foi assistente de direção do clipe da música “Tenho”. Desde então, desenvolveram uma amizade e uma parceria profissional. Produtora da cinebiografia, ficou tão envolvida com a história do artista que propôs a realização do documentário.

— Começamos a pensar em diretores para comandar o projeto, mas logo percebemos que eu seria a pessoa ideal. Nenhuma outra pessoa conseguiria entrar na vida do Sidney de forma tão íntima — diz ela. — A palavra deste documentário é “confiança”. Eu precisava da confiança dele e da família para contar coisas delicadas, e acho que consegui.

Para o documentário, a cineasta se beneficiou da natureza arquivista do cantor. Magal tem dois armários cheios de recortes, capas de revistas, jornais e apresentações desde que tinha 15 anos.

— Curto muito a minha carreira. Guardei e cataloguei tudo que conseguia, como se eu fosse um fã do Sidney Magal — lembra o músico. — Corro até o risco de me diminuir como artista, mas, se me disser que amanhã vou estar na capa de uma revista, vou até o aeroporto comprar a revista e tentar ver antes de todo mundo.

Antes do “Masked singer”, que fez como homenagem à neta Madalena (acredite, sem qualquer relação com o hit “Sandra Rosa Madalena”), Magal já havia se arriscado na “Dança dos famosos”. Ele lembra que ficou feliz quando foi eliminado nos dois casos, que exigiam muito fisicamente, mas que nunca iria desistir.

— Sempre achei que o show business fosse uma coisa ampla em que você, como artista, se tiver dignidade e talento, pode se aventurar em várias coisas. Tenho muito orgulho das novelas, filmes e peças que fiz. A cada coisa que me chamavam, eu entrava de sola. Se desse certo, ótimo. Se não desse, eu dava longevidade ao meu nome não apenas como cantor — conta Magal, que chama de buraco negro o período entre 1982 e 1990, quando não lançou nenhum sucesso.

A fase ruim terminou quando “Me chama que eu vou” foi abertura da novela “Rainha da Sucata”, da Globo.

Há quase 25 anos morando na Bahia, terra da mulher, Magali, o carioca conta que deixou o Rio por causa da violência após ser assaltado três vezes. Em Camaçari, pôde viver uma vida mais simples ao lado da mulher e dos três filhos. Ele destaca que o afastamento dos grandes centros foi importante para se valorizar. Antes, tinha a impressão de que era convidado somente quando ocorria um imprevisto com outros artistas. Agora, além da presença, os convites precisam pagar por hospedagem e passagem para ele.

Além de manter ativa sua agenda de shows (ele se apresenta no Rio no dia 11 de fevereiro, na Casa Bloco), Magal tem feito palestras com a escritora Bruna Ramos da Fonte, autora da biografia “Sidney Magal: muito mais que um amante latino” (2017), em que ele tenta passar seu estilo de vida para executivos.

— As pessoas têm carinho grande por ele e estão sempre ávidas para saber mais sobre quem é a pessoa por trás desse “amante latino”. É comum ver pessoas que nem conhecem tanto a obra dele, mas que sentem um verdadeiro amor pela sua figura — diz a autora.

Magal carrega com orgulho o fato de só ter interações positivas com seus fãs nas redes sociais, um reflexo de uma relação construída ao longo de 60 anos. Em um ciclo de amor mútuo. Magal quer sorrir e cantar. E ver seus fãs sorrindo e cantando.

José Loreto e Filipe Bragança

A cinebiografia “O meu sague ferve por você” já foi filmada e está em pós-produção. O projeto é antigo no cinema brasileiro. José Loreto se preparou por mais de dois anos para o papel de Magal, mas os atrasos com a pandemia e a oportunidade para participar de “Pantanal” fizeram com que ele precisasse deixar o projeto, mantendo-se apenas como produtor. O ator, no entanto, não desperdiçou a preparação para o papel e se inspirou no cantor para criar seu personagem em “Vai na fé”, novela das 19h que estreia segunda-feira.

Filipe Bragança ficou com o papel de Magal, enquanto que Giovana Cordeiro vive Magali. A trama acompanha a história de amor do casal, que já está junto há quatro décadas.

— Magal é o personagem mais rico e desafiador que já interpretei. É um artista muito autêntico, com uma persona pública muito forte e intensamente presente no palco — exalta Filipe, que teve horas de conversa com o cantor, além de ensaios de canto e dança. — Tento trazer quem é o Sidney Magal de fato, que é o Sidney de Magalhães, explorar qual é a alma desse artista.