Sidney Poitier, o primeiro astro negro de Hollywood

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    Sidney Poitier
    Ator estadunidense

Sidney Poitier, que morreu nesta quinta-feira, aos 94 anos, foi um astro pioneiro de Hollywood, ao abrir as portas para as minorias raciais no mundo do cinema, onde os negros eram relegados a papéis menores.

O ator conseguiu romper esses estereótipos nas décadas de 1950 a 1970, participando de uma lenta mudança de mentalidade da sociedade norte-americana. Ele foi o primeiro homem negro a ganhar o Oscar de melhor ator, por "Uma Voz nas Sombras", de 1963. "A viagem para chegar até aqui foi longa", disse, bastante emocionado, após receber a estatueta, em 1964.

Graças a seus papéis, o público foi capaz de imaginar que negros poderiam se tornar médicos ("O Ódio é Cego", 1950), engenheiros e professores ("Ao Mestre, com Carinho", 1967), e até mesmo policiais ("No Calor da Noite", 1967).

No entanto, aos 37 anos e quando recebia seu Oscar, Poitier era o único astro negro em Hollywood. "A indústria cinematográfica ainda não estava preparada para elevar mais de uma personalidade das minorias ao estrelato", escreveu o ator em sua autobiografia "This Life".

"Naquele momento, [...] representei os anseios de todo um povo. Eu não tinha controle sobre o conteúdo dos filmes, [...] mas podia rejeitar um papel, o que fiz muitas vezes", afirmou.

Em 2002, 40 anos depois, Sidney Poitier recebeu o Oscar honorário por "suas extraordinárias interpretações, sua dignidade, seu estilo e sua inteligência".

"Aceito este prêmio em nome de todos os atores e atrizes afro-americanos que vieram antes de mim [...] e em cujos ombros pude me apoiar", respondeu o ator agradecendo "às decisões visionárias de um punhado de produtores, diretores e responsáveis de estúdios".

Naquela mesma noite, Denzel Washington se tornou o segundo homem negro a receber o Oscar de melhor ator: "Nunca chegarei à sua altura e sempre darei meus passos sobre os seus", declarou Denzel.

- 'Tio Tom' -

Quando Poitier nasceu em 20 de fevereiro de 1927 em Miami, seu pai comprou um caixão para ele. O bebê chegou com dois meses de antecipação, e pesava apenas um quilo. Era o sétimo filho de um velho agricultor, que já tinha perdido outros.

Ele veio das Bahamas para obter um preço melhor por seus tomates, e não para dar boas-vindas a um filho prematuro. Sua esposa, no entanto, rejeitou o fatalismo e fez consultas com um médium, que previu um futuro brilhante para Sidney. Os pais, então, ficaram mais três meses em Miami.

Graças ao parto prematuro, Poitier obteve a nacionalidade americana. Aos 15 anos, seus pais puderam enviá-lo a Miami com seu irmão para ganhar a vida. Antes, jamais havia usado sapatos fora de uma igreja.

Para escapar das leis racistas da Flórida, ele vai para Nova York, onde sobrevive. Seu forte sotaque caribenho lhe rendeu a rejeição do "American Negro Theatre". Depois disso, teve que trabalhar duro para se livrar do mesmo.

Atuando profissionalmente na Broadway em 1946, Poitier chama a atenção do diretor Joseph Mankiewicz. Em seu primeiro filme ("O Ódio é Cego", 1950), interpreta um médico que atende ao lado dos leitos de dois racistas brancos. O filme, censurado no sul, lançou sua carreira no cinema.

Três anos depois de ganhar o Oscar, encarna o papel de herói em três grandes sucessos de bilheteria: "Adivinhe Quem vem para Jantar", "Ao Mestre, com Carinho" e "No Calor da Noite"). Poitier se torna inclusive mais popular que atores brancos como Steve McQueen e Paul Newman.

Em Hollywood, no entanto, pouca coisa tinha mudado para os negros. Seus críticos o acusam por seu papel de genro ideal, que não reflete a discriminação sofrida pelos afro-americanos. Com isso, ele recebe apelidos como "Tio Tom", "lacaio" e "engraxate de um milhão de dólares".

No início dos anos 1970 surge um novo movimento para o cinema negro, o "Blaxploitation" e seus filmes mais radicais. "Minha carreira como astro de Hollywood estava chegando ao fim", disse o ator, que passou a se dedicar à direção.

Muitos anos depois, em 1997, interpreta o líder negro sul-africano Nelson Mandela e, depois, o então primeiro juiz negro da Suprema Corte dos Estados Unidos, Thurgood Marshall.

Casado por 15 anos (1950-1965) com a dançarina Juanita Hardy, com quem teve quatro filhas, Poitier se casa novamente em 1976, com a atriz canadense Joanna Shimkus, com quem teve outras duas filhas.

Em 2000, confidencia a Oprah Winfrey que havia se mantido fiel aos princípios de seu pai. Apesar da enorme pobreza, ele "manteve sua dignidade, mesmo que, em toda a sua vida, jamais tivesse ganhado tanto dinheiro como o que eu poderia gastar em uma semana".

Poitier morreu em casa, na cidade de Los Angeles. A causa da morte não foi informada.

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