Siemens Gamesa estreia turbinas eólicas mais potentes no Brasil e mira offshore

Turbina eólica da Siemens Gamesa em Zamudio, Espanha

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) - A Siemens Gamesa começou a instalar no Brasil uma nova geração de máquinas mais potentes para energia eólica em terra, em um passo importante para aumentar sua competitividade num mercado-chave para a fabricante e se posicionar para o desenvolvimento do mercado eólico no mar do país, segundo um executivo da companhia.

O Brasil será o primeiro país do mundo a operar as turbinas eólicas da Siemens Gamesa com 6,2 megawatts (MW) de potência nominal e rotor de 170 metros --as maiores disponíveis no mundo -- na geração eólica "onshore".

As primeiras máquinas, produzidas na Bahia, estão sendo instaladas no complexo eólico Tucano (BA), da AES Brasil.

A Siemens Gamesa, que até poucos anos atrás fabricava aerogeradores de 3,5 MW, tem visto interesse no mercado pelo novo modelo e já tem contratos de fornecimento assinados com a Essentia, da gestora Pátria, e a Engie Brasil, disse à Reuters Felipe Ferrés, diretor-geral da Siemens Gamesa no Brasil.

"Ela está virando uma máquina-chave para o mundo todo... Os primeiros pedidos vieram ou para o Brasil ou para os países nórdicos. Hoje já temos uma série de contratos além dessas duas regiões, no sul da Europa, e algumas negociações na África", disse Ferrés.

Segundo o executivo, o modelo tem atraído atenção de grandes investidores de energia eólica --uma vez que otimiza os parques ao torná-los mais potentes com menor número de máquinas-- e, no futuro, poderia até ser aplicado em empreendimentos offshore "pequenos".

"Temos uma grande vantagem nesse sentido, por já ter ido para uma máquina tão grande para a terra, mas pensando que ela é também aplicável para o mar."

Ele ressalta, porém, que parques offshore costumam ser muito maiores do que os onshore, de maneira que o volume de encomendas teria que crescer em escala proporcional para viabilizar uma produção local.

"Hoje, os contratos novos (offshore) na Europa, nos EUA, são máquinas de 14 MW. Para você fabricar isso no Brasil, estamos falando de blocos de 3 a 4 GW em uma tacada só. Ou seja, tudo que aquilo que se instala em onshore em um ano, tem que um único projeto para viabilizar a fabricação local".

Ferrés disse ainda não ter dúvidas de que o mercado eólico offshore irá se desenvolver no Brasil, mas entende que a velocidade desse processo está diretamente atrelada ao desenvolvimento da produção de hidrogênio verde.

"Pensando só na expansão da eólica só para atender ao mercado de energia elétrica, estamos num 'plateau' de 4 GW instalados por ano para toda indústria, não tem muita perspectiva de mudar... Agora, quando começamos a produzir hidrogênio verde para atender demanda global de energia, a escala se multiplica, e você precisa ir para o mar... Esse mercado (offshore) se realizando no Brasil, a Siemens Gamesa estará presente."

O hidrogênio verde é produzido em um eletrolisador que consome exclusivamente energia renovável, que pode ser gerada por geradores eólicos, por exemplo. O combustível tem potencial de combater as mudanças climáticas. Além da expectativa de ser utilizado em veículos do futuro, também há aplicações nas indústrias alimentícias e outras.

PRODUÇÃO LOCAL E CUSTOS

A Siemens Gamesa está com sua fábrica de aerogeradores de Camaçari (BA) "cheia" até "fim de 2023, 2024" e não vê grandes desafios para atender a demanda de clientes nos próximos anos, disse o diretor-geral da fabricante.

"O que eu faço hoje é com um turno, poderia potencialmente trabalhar com três turnos. Ou seja, triplicar minha capacidade sem aumento de espaço físico, só com ajustes, capacitação."

Segundo ele, apesar da demanda por novas encomendas, a Siemens Gamesa e outras fabricantes têm sofrido com os desarranjo de cadeias produtivas em todo o mundo, por pressões associadas à pandemia da Covid-19, e aumento dos custos com matérias-primas.

No caso do Brasil, o principal impacto tem sido nos custos, afirmou, já que a indústria eólica brasileira é pouco dependente de importações.

Ele avalia que os preços de matérias-primas como o aço não devem arrefecer tão cedo, uma vez que a guerra na Ucrânia e suas consequências devem continuar pressionando as commodities por algum tempo.

(Por Letícia Fucuchima)

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