Silêncio e falta de narrativa no Twitter: a reação dos bolsonaristas nas primeiras 48h após a morte de militante do PT

As primeiras 48h após a notícia sobre a morte do guarda municipal petista Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu (PR), rendeu momentos pouco comuns entre os bolsonaristas no Twitter. Em vez da habitual agitação e construção de narrativas, o silêncio ou a falta de coordenação na narrativa foi marcante. Os dados são baseados no relatório da empresa de análise de dados Novelo Data, com a movimentação do caso nos dias 10 e 11 de junho. Arruda foi assassinado na sua festa de 50 anos, baleado pelo policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). O tema era dedicado ao pré-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Com baixa atividade no Twitter e poucos usuários em manifestação, o campo bolsonarista atingiu a atípica proporção de 17% dos usuários e 14% das conexões (dado referente a menções, retuítes ou likes). Segundo o levantamento coordenado por Pedro Barciela, sem ter uma narrativa central, alguns apoiadores testaram teorias anteriores e esperaram alguma indicação de como agir — Bolsonaro ficou em silêncio sobre o caso até as 19h15 de domingo . Na postagem, o presidente pediu para que, “independente das apurações”, os seus eleitores que apoiarem “quem pratica violência contra opositores mude de lado e apoie a esquerda”. A mensagem foi compartilhada por quase toda a bancada bolsonarista.

Entre as tentativas antes da postagem de Bolsonaro, está o caso do canal ENZUH, com 254 mil inscritos no Youtube, que seguiu a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e chamou Marcelo Arruda de "novo Marielle", em referência a vereadora carioca que foi assassinada em março de 2018. No vídeo, o youtuber diz que se tratava apenas de uma "briga como todos que acontecem no Brasil e acabam em tragédia" e critica a narrativa da imprensa.

Enquanto o silêncio imperava entre os governistas, a oposição de Bolsonaro liderava o debate on-line com 77% dos atores e 81% das conexões. O campo antibolsonarista foi orientado por Lula, que se manifestou logo na manhã de domingo. "Nosso companheiro Marcelo Arruda comemorava seu aniversário de 50 anos com sua família e amigos, em paz, em Foz do Iguaçu. Filiado ao Partido dos Trabalhadores, sua festa de aniversário tinha como tema o PT e a esperança no futuro", escreveu o ex-presidente no Twitter. Os deputados federais Gleisi Hoffmann (PT-PR), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o senador Humberto Costa (PT-PE) se manifestaram em seguida.

Os pré-candidatos à Presidência Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) também prestaram condolências horas antes do presidente, quando a Polícia Civil do Paraná tinha concedido a informação de que José da Rocha Guaranho também tinha morrido. No próprio domingo, a organização voltou atrás e informou que o assassino bolsonarista estava internado em estado grave. Tebet lamentou o ocorrido e falou sobre como a situação cruel escancara a polarização do país. Já Ciro, destacou a tristeza da e pediu para que o ódio político fosse contido " para evitar que tenhamos uma tragédia de proporções gigantescas".

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