Simone Tebet já esteve na órbita de Lula e Bolsonaro, que hoje critica

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  xx-xx-2021, 12h00: A senadora Simone Tebet (MDB-MS) durante entrevista à Folha em seu gabinete, no senado federal. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, xx-xx-2021, 12h00: A senadora Simone Tebet (MDB-MS) durante entrevista à Folha em seu gabinete, no senado federal. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Hoje tentando despontar como alternativa a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), a presidenciável Simone Tebet (MDB) já se aproximou da órbita de ambos no passado, em movimentos que transitaram entre mensagens cordiais e críticas duras por parte da senadora.

Com 2% das intenções de voto segundo o Datafolha, ante 48% do ex-presidente e 27% do atual, a emedebista repudia a polarização e deixa para trás as fases em que dizia "confiar no presidente Lula" ou relatava que "poucos senadores ajudaram tanto" o governo corrente quanto ela.

A pré-candidata da chamada terceira via classifica os dois líderes da corrida como populistas a serem derrotados, mas reserva palavras mais incisivas para se referir a Bolsonaro, em quem já indicou que não vota de jeito nenhum em um eventual segundo turno contra Lula.

No histórico de convivência política dela com o ex-presidente, há uma conexão indireta por causa de um episódio pitoresco vivido pelo pai, o senador Ramez Tebet (MDB-MS), que morreu em 2006.

Lula dizia que só assumiu a Presidência em 2003 graças ao senador. Era uma piada pelo fato de Ramez ter emprestado a caneta com a qual ele assinou o termo de posse. O parlamentar, que presidia o Congresso e conduzia a cerimônia, ficou tão envaidecido que deu a Montblanc de ouro para ele.

O petista conta que durante 12 anos guardou uma caneta especialmente para essa oportunidade --mas, no grande dia, se esqueceu de levá-la. Enquanto Lula chefiou o Planalto (2003-2010), a emedebista foi deputada estadual e prefeita de Três Lagoas (MS), berço político dos Tebet.

O petista recordou a história da caneta ao visitar em 2010 um complexo fabril de papel e celulose em Três Lagoas cuja instalação, beneficiada com recursos do BNDES, era um pleito dos políticos estaduais. A prefeitura, comandada por Tebet, financiou a compra do terreno cedido para o empreendimento.

Na inauguração, Lula se dirigiu à "querida prefeita", a seu lado no palanque, e lamentou que o pai dela não estivesse vivo para ver em funcionamento algo que ajudou a viabilizar.

Refratário ao PT em 2002, Ramez atenuou a resistência ao longo do governo e abriu interlocução. Quando o senador morreu, o então presidente foi ao velório e o qualificou como "político com 'p' maiúsculo".

A senadora teve "um bom relacionamento com o presidente Lula durante seu primeiro mandato", conforme ela mesma falou em 2019 ao jornal O Estado de S. Paulo.

Um político sul-mato-grossense próximo da família disse reservadamente à Folha que o bom trânsito do clã e de seus aliados no Planalto foi crucial no direcionamento de projetos para Três Lagoas.

Entre 2005 e 2010, na gestão de Tebet, a cidade foi contemplada, por exemplo, com a construção de uma fábrica de fertilizantes da Petrobras (anunciada pela emedebista como "o maior investimento da história do município").

A relação com a gestão Lula também teve rusgas. Em 2003, quando era deputada na Assembleia de Mato Grosso do Sul, Tebet foi à tribuna reclamar de cortes nas verbas federais para obras em rodovias.

"Não consegui entender o raciocínio do senhor presidente da República", queixou-se, cobrando "mais respeito" de Lula à capital do estado, então administrada pelo correligionário André Puccinelli (MDB).

"Quero crer que isso [favorecimento a cidades governadas pelo PT] seja uma coincidência, porque ainda confio no presidente Lula, porque o PMDB apoia certas medidas do governo federal, mas não posso deixar de me manifestar quando vejo meu estado prejudicado", afirmou ela.

Como vice-governadora, ela participou em 2011 ao lado do marido, o deputado estadual Eduardo Rocha (MDB), de conversas com o então ministro da Educação Fernando Haddad (PT) para levar um curso federal de medicina para Três Lagoas e construir um hospital-escola.

Anos mais tarde, a senadora se tornaria entusiasta do impeachment de Dilma Rousseff (PT), para o qual contribuiu com seu voto. Disse que "o PT, em nome de um programa de partido, e não de governo, rasgou a Constituição".

Atualmente, atribui a origem da crise econômica e social à era petista, que chama de "passado nefasto". Reconhece "avanços conjunturais" naqueles governos, mas vê fracasso na solução das desigualdades.

A trajetória de altos e baixos na relação de Tebet com Bolsonaro também foi ditada por circunstâncias políticas, com a postura mais recuada ou combativa oscilando conforme os ventos da hora.

Como não disputou nada em 2018 (foi eleita para o Senado em 2014), ela evitou se posicionar no segundo turno entre o atual presidente e o então rival, Haddad. Ficou neutra publicamente e, hoje, diz que não votou em Bolsonaro, mas não revela qual foi sua escolha.

No dia da vitória bolsonarista, ela deu parabéns em uma rede social e afirmou que era preciso respeitar o resultado das urnas. "Agora, é tempo de construirmos, juntos, ações efetivas para pacificar as ruas."

Dias depois, quando o presidente eleito participou de sessão no Congresso e defendeu a Constituição, Tebet considerou se tratar de "uma boa sinalização".

Àquela altura, a senadora já se movimentava para concorrer à presidência do Senado, eleição em que a influência do Executivo tem peso. A parlamentar, que se lançou na disputa em 2019, disse que não era a candidata do governo, mas que não recusaria eventual apoio.

Na campanha pelo cargo, elogiou a agenda econômica do ministro Paulo Guedes e se posicionou contra o Senado investigar naquele momento o caso de "rachadinha" de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por fim, ela se viu isolada e retirou seu nome, abrindo caminho para a vitória de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Em março de 2020, Tebet declarou no Roda Viva, da TV Cultura, que Bolsonaro a surpreendeu positivamente porque "soube escolher uma boa equipe" e se disse disposta a ajudar o governo.

"Eu quero que esse governo dê certo. Eu preciso que esse governo dê certo, pelo bem do país", comentou.

"Confesso que acho que aqueles apoiadores mais moderados do presidente se encontram frustrados com certas atitudes, comentários, posicionamentos. Eu mesmo [sic], que falo e repito: sou uma senadora independente, mas falo com muita tranquilidade desse governo porque poucos senadores ajudaram, ajudam tanto o governo quanto eu", disse, citando a articulação pela reforma da Previdência.

Sua oposição a Bolsonaro só depois ganharia contornos mais definidos e adjetivos mais duros. O ponto de virada foi a CPI da Covid, em 2021. Ela avaliou que a comissão reuniu elementos suficientes para embasar um impeachment do titular do Executivo e disse que votaria a favor.

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