Tebet-Tasso: uma chapa promissora da terceira via para as eleições do passado

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Senator Simone Tebet speak with Senator Tasso Jereissati during a meeting of the committee of the Constitution, Justice and Citizenship (CCJ) at the Federal Senate in Brasilia, Brazil September 4, 2019. REUTERS/Adriano Machado
Simone Tebet conversa com o colega Tasso Jereissati em reunião da CCJ do Senado em 2019. Foto: Adriano Machado/Reuters

A chapa Tebet-Tasso, provável amálgama de terceira via ensaiado por MDB e PSDB, tinha tudo para ser a grande novidade das eleições de algumas décadas atrás.

Depois de tantas idas-e-vindas atrás de um rosto novo para desbancar o favoritismo de Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as legendas chegaram ao consenso de que terão alguma chance na disputa presidencial lançando a campo dois dos sobrenomes mais tradicionais da política brasileira –a tentação de chamar de “velha política” é grande, mas até esse termo, a essa altura, ficou démodé.

Hoje senadora pelo Mato Grosso do Sul, Simone Tebet (MDB) é herdeira do espólio político do pai, o ex-prefeito, ex-deputado, ex-governador, ex-ministro e ex-senador Ramez Tebet, morto em 2006.

Uma das principais lideranças do MDB, partido de oposição à ditadura, Ramez estreou na vida pública no fim dos anos 1970, quando foi eleito prefeito de Três Lagoas. Duas décadas depois, já era um dos políticos mais influentes de Brasília. Ele comandou a CPI do Judiciário, que investigou irregularidades em tribunais regionais e superiores e cassou o ex-colega de partido Luiz Estevão.

Em 2001, chegou à presidência no Senado, após a renúncia, por suspeitas de desvios na Sudam, de Jader Barbalho (PMDB-PA).

Simone, hoje com 52 anos, seguiu a pegada do pai. Ela deu os primeiros passos na política em 2002, quando foi eleita deputada estadual em Mato Grosso do Sul. O patriarca, naquele ano, foi reeleito senador com votação recorde.

Dois anos depois, ela venceu a disputa pela prefeitura de Três Lagoas, base da família. Foi o trampolim para ser eleita vice-governadora do estado na chapa de André Puccinelli, de quem foi secretária de Governo. Ela chegou ao Senado em 2014, exatos 20 anos após o pai.

Seu partido, o MDB, costura há meses um projeto de aliança que reforce sua pré-candidatura ao Planalto.

Até pouco tempo, não faltavam opções ao leque. Os ex-juiz Sergio Moro (primeiro no Podemos, depois no União Brasil) e os tucanos Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP) foram aventados para uma composição de chapa capaz de aglutinar um pouco de tudo, menos os egos dos pré-candidatos.

Desse páreo ficou só a senadora.

Em reunião com lideranças do MDB nesta semana, a cúpula do PSDB topou indicar o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como candidato a vice em sua chapa.

Se confirmada, a aliança, que inclui ainda um terceiro partido, o Cidadania, garantirá R$ 757 milhões de fundo eleitoral para a campanha e quase dois minutos na propaganda de TV.

Jereissati, hoje com 73 anos, também seguiu os caminhos do pai, um ex-senador da República, e ganhou projeção nos anos 1980 prometendo modernizar a política em seu estado.

Governador do estado em três ocasiões, ele já foi considerado um dos mais promissores quadros do PSDB, mas foi abatido em voo sempre que seu nome era cotado para disputar a Presidência. Ele chegou perto de conquistar a indicação da legenda em 2002, mas perdeu a queda de braço para o paulista José Serra.

A chance ressurgiu, agora como candidato a vice, 20 anos depois.

A junção de dois dos sobrenomes mais poderosos da política em seus estados dilui um tanto o caráter de novidade que tanto o MDB quanto o PSDB tentava conferir às suas candidaturas em 2022.

Simone Tebet é a única mulher na corrida presidencial –e a mais jovem entre os postulantes ao cargo.

A dobradinha seria uma solução promissora para arejar o ambiente mofado da política em alguma esquina entre os anos 1990 e 2000. Talvez em 1998, se a emenda da reeleição não tivesse sido aprovada, e Jereissati entrasse na disputa com Tebet pai.

Hoje os tempos são outros e a disputa tem à frente dois dos mais populares líderes nacionais da Nova República —e que estão na pista há meses.

Quanto mais o tempo passa, mais difícil fica para os postulantes da chamada terceira via.

No fim de maio, a senadora comemorou ao ver que havia dobrado o índice de pessoas dispostas a votar nela. Saiu de 1% para 2%.

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