Simulação em outubro previu despreparo de países para pandemia

MARCELO LEITE
(Foto: Getty Images)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apenas dois meses antes de surgirem na China os primeiros casos de Covid-19, um painel se reuniu em Nova York para debater como o mundo deveria preparar-se para uma pandemia de... coronavírus.

O encontro foi organizado pela Universidade Johns Hopkins (EUA), que está na elite da pesquisa biomédica mundial. Seu Centro para Segurança de Saúde, em parceria com o Fórum Econômico Mundial e a Fundação Bill e Melinda Gates, reuniu os principais atores: empresas farmacêuticas, aéreas, de turismo, finanças e logística, autoridades sanitárias dos EUA e da China, ONU etc.

Havia até uma pandemia fictícia, descrita em vídeo, para esquentar o debate. Um canal de notícias inventado, GNN, descrevia o cenário pavoroso: 10 milhões de mortos em três meses, escalando para 65 milhões em 18 meses; recuo de 25% a 40% nas bolsas; queda de 11% no PIB mundial; caos social.

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Adeptos de teorias de conspiração denunciam que não se trata de coincidência. No mesmo dia do simpósio Evento 201, começaram em Wuhan os Jogos Mundiais Militares - ponto de origem do terrorismo biológico iniciado pelos EUA, na versão que ora se espalha pela China.

Não é a primeira explicação paranoica para o surto de Sars-CoV-2. A anterior punha a culpa, desta vez, na própria China, que teria desenvolvido em Wuhan um novo vírus para pôr o mundo de joelhos e quebrar a hegemonia dos EUA - como, de resto, estaria previsto num best seller de 1981 de Dean Koontz.

O fato é que Koontz mudou o nome do vírus. Na edição original, ele se chamava Gorki-400, e só se tornou Wuhan-400 depois do colapso da União Soviética. Também a suposta previsão da Johns Hopkins não bate com o coronavírus que grassa hoje pelo mundo.

Na fábula de outubro, ele se chamava Caps, da abreviação em inglês para Síndrome Pulmonar Associada a Coronavírus. Verdade que se dizia ser capaz de causar sintomas gripais leves e, em alguns casos, pneumonia grave. Mas o vírus partira de porcos do Brasil, e se previam 450 mil casos e 26 mil mortes em um mês; com o CoV-2, ainda são 370 mil infectados e 16 mil mortos quase três meses após o surto inicial -em Wuhan.

Mais importante que o balanço de coincidências e discrepâncias entre o exercício Evento 201 e a pandemia de Covid-19 é a conclusão do simpósio: o mundo todo, e os governos em particular, estavam e estão despreparados.

"Estamos nós, como comunidade global, prontos para o trabalho duro necessário para a próxima pandemia?" É o que pergunta a locutora ao final do vídeo: "Precisava ser tão ruim assim?"

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