Merkel pede mais soberania diante da Ásia; Boris Johnson na UTI

Por Phil HAZLEWOOD con las oficinas de la AFP en el mundo
Socorrista francês segura máscara de oxigênio de paciente com suspeita de infecção da COVID-19

Angela Merkel pediu mais "soberania" europeia para a produção de máscaras sanitárias contra o coronavírus, apesar de a OMS não considerar esse recurso uma "solução milagrosa". As boas notícias vieram da Espanha, onde pelo quarto dia o número de mortes pelo vírus caiu. A pandemia já deixa mais de 73.000 mortos no mundo.

O epicentro da epidemia está se mudando para os Estados Unidos, que temem uma semana comparável a "Pearl Harbor".

Também no Japão, os casos estão em ascensão, levando o primeiro-ministro Shinzo Abe a declarar um mês de emergência em várias regiões, incluindo Tóquio e Osaka.

Já a Áustria apresentou um plano para reduzir as restrições impostas há três semanas, começando em meados de abril com a reabertura de pequenas empresas, e a Noruega anunciou que a pandemia está "sob controle".

A COVID-19 confinou quase metade da humanidade em suas casas e contagiou mais de 1,3 milhão de pessoas em 190 países, com mais 73.139 mortos, 51.608 somente na Europa, segundo a contagem feita pela AFP.

Os Estados Unidos registraram 10.335 mortes na segunda-feira e 347.003 casos de COVID-19, tornando-o o terceiro país em número de mortes atrás de Itália e Espanha e o com maior número de contagiados.

O governador de Nova York, o estado mais atingido, anunciou a extensão das medidas de confinamento até 29 de abril, apesar de acreditar que a taxa de mortalidade atingiu um platô nos últimos dois dias e que o sistema hospitalar encontra-se atualmente em "sua capacidade máxima".

É possível que o estado tenha que enterrar seus mortos por coronavírus mortos nos parques da cidade temporariamente, já que necrotérios e cemitérios não têm mais espaço.

A França registrou mais 833 mortes nas últimas 24 horas, elevando o número total de óbitos pela doença para 8.911.

"Não estamos no fim do aumento da epidemia", disse o ministro da Saúde, Olivier Verán.

Essa contagem sinistra também aumentou na Itália, com 636 novas mortes em 24 horas, elevando o total para 16.523 mortes e mais de 132.000 casos, embora o número de pacientes em terapia intensiva continue caindo pelo terceiro dia consecutivo.

A Espanha, apesar do registro de 637 mortes na segunda-feira, registra a quarta queda seguida e o número mais baixo em 13 dias. No total, o país registra 13.055 mortos e 135.032 infectados.

"A pressão está diminuindo", disse María José Sierra, do centro espanhol de emergências em saúde, observando que "há uma certa diminuição" no número de casos hospitalizados e de internados em terapia intensiva.

O Reino Unido, com mais 439 mortes nesta segunda-feira, a segunda queda consecutiva, já registra 5.373 mortes. Seu primeiro ministro, Boris Johnson, hospitalizado na segunda-feira por causa de coronavírus, foi encaminhado para a terapia intensiva.

- Solução milagrosa -

Essa epidemia devastadora, que ameaça os países mais pobres e os piores sistemas de saúde, deixou principalmente algumas lições.

Para Merkel, a Europa deve ser "soberana" na produção de máscaras, atualmente em mãos asiáticas.

"Aprendemos com essa pandemia a experiência de que também precisamos de uma certa soberania, pelo menos uma base para realizar nossa própria produção" na Alemanha e na Europa, alertou.

Enquanto o mundo trava uma siputa total para conseguir esses equipamentos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou na segunda-feira que as máscaras não são uma solução "milagrosa".

"Não há resposta binária, nem solução milagrosa. Máscaras por si só não podem impedir a pandemia do COVID-19", disse o diretor da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, de Genebra.

O Chile - com 4.815 infectados e 37 mortes por coronavírus - ordenou o uso de máscaras nos transportes públicos e na maioria dos países fora da Ásia - onde geralmente é costume em tempos de epidemia - também é recomendado.

- Crise mais grave que em 2009 -

A recessão global devido ao coronavírus será pior que a crise financeira de 2009, mas há indicações preliminares de uma reativação na China, incluindo um aumento na poluição, disseram economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta segunda-feira.

"A pandemia do COVID-19 levou o mundo a uma recessão", alertaram os autores de uma publicação do FMI envolvendo a economista-chefe da agência, Gita Gopinath.

A Argentina adiou até 2021 os pagamentos de juros e principal da dívida pública em dólares emitidos no país, de cerca de 9,8 bilhões de dólares, devido à pandemia do novo coronavírus, de acordo com um decreto publicado nesta segunda-feira.

- Guayaquil, rosto da tragédia -

A cidade equatoriana de Guayaquil está se tornando a pior face da epidemia na América Latina, que registra cerca de 32.000 casos e mais de 1.100 mortes, quase metade delas no Brasil.

Espera-se que até 3.500 pessoas morram da Covid-19 nas próximas semanas, apenas na província de Guayas e sua capital, o porto de Guayaquil, uma das cidades mais punidas da América Latina.

O vírus se espalhou para mais de 1.600 médicos, enfermeiros e trabalhadores do sistema de saúde, dos quais uma dúzia morreu, segundo o vice-ministro da Saúde, Ernesto Carrasco. Outro foco do vírus são os cruzeiros.

Mais de 80 pessoas a bordo do navio de cruzeiro australiano Greg Mortimer, ancorado nas águas uruguaias, têm coronavírus, segundo comunicado da empresa que opera o navio divulgado segunda-feira.

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