Sindicato cobra punição a professor que usou roupa em alusão à Ku Klux Klan em escola de SP

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O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) cobrou uma punição a professor por vestir uma roupa que remete à Ku Klux Klan (KKK), grupo extremista que defende a supremacia branca, em uma escola pública de Santo André em São Paulo. Um vídeo que mostra o docente com a vestimenta enquanto caminhava no pátio da instituição viralizou nas redes sociais nesta segunda-feira.

Após a repercussão do caso na Escola Estadual Amaral Wagner, o docente foi afastado. A cena ocorreu no dia 8 de dezembro, quando estudantes do terceiro ano do Ensino Médio organizaram um desfile de fantasias no local.

Em nota, o sindicato disse que a luta contra o racismo estrutural e todo tipo de preconceito enraizado na sociedade brasileira é uma suas bandeiras por entender que "é inseparável da construção de uma nação justa, igualitária e soberana".

"Não podemos nos calar ou compactuar quando um professor ou professora, sob qualquer pretexto, propicia ou realiza gesto ou manifestação de exposição ou exaltação de símbolos claramente racistas, como ocorreu na Escola Estadual Amaral Wagner, em Santo André, no dia 8 de dezembro", diz trecho do texto assinado pela presidente da APEOESP, Maria Izabel Noronha.

A entidade afirmou ainda que "não é possível tolerar que um professor, ainda não identificado, circule dentro de uma escola pública com as vestimentas da organização supremacista branca norte-americana. E emendou que "somente o fato de esta pessoa se sentir à vontade para vestir-se dessa forma já é suficiente para evocar revolta e repúdio".

Em seu posicionamento, o sindicato cobrou que o caso seja apurado e o professor, punido. "Em nome da democracia, dos direitos humanos, da memória das vítimas dessa organização – ainda ativa – e em respeito à população negra, que constitui maioria no Brasil, o caso precisa ser apurado e o autor devidamente punido", concluiu a nota.

Vaiado por estudantes

Nas redes sociais, o Grêmio Estudantil e a Atlética da instituição informaram que o homem fantasiado era um professor de História. Disseram ainda que ele foi vaiado, retirado da quadra pelos estudantes e encaminhado para a direção, onde prestou esclarecimentos sobre o ocorrido. Os grupos discentes ressaltaram que não compactuam com a atitude do docente e repudiam qualquer tipo de preconceito.

A Escola Estadual Amaral Wagner disse, em nota, que não compactua "com nenhuma manifestação de incitação a discurso de ódio ou permitir a apologia de segregação a qualquer tipo grupo étnico, crença, gênero ou classe social". Ainda de acordo com a unidade de ensino, o professor também fez uma retratação formal. "O professor reconheceu que sua ação foi infeliz ao usar a vestimenta", afirma o texto, assinado pelo diretor da escola.

A Secretaria de Educação de São Paulo (Seduc-SP) informou que "abriu apuração preliminar e afastou imediatamente o professor envolvido, que é efetivo, até o término da apuração". O texto diz ainda que a Diretoria de Ensino de Santo André formou uma "comissão interracial para averiguar os fatos". A Pasta ressaltou que "não admite qualquer forma de discriminação e injúria racial".

A direção da escola comunicou que, após reunião no dia 20, percebeu "a necessidade de trabalhar temas que trazem a necessária temática da educação étnico-raciais na escola", e decidiu que irá introduzir temas de "Ações antirracistas" de forma gradual e contínua nos projetos permanentes de 2022, "levando assim professores, alunos, funcionários e a comunidade em geral a refletir e criar ações que visem a construção de uma sociedade inclutora e alicerçada na ética humana."

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