Sindicato diz que demissões prejudicam cronograma de obras do BRT Transbrasil

Geraldo Ribeiro
Obra parada em viaduto na altura de Irajá, onde haverá terminal

RIO - Quem passa pela Avenida Brasil quase não vê movimentação de operários no trecho de implantação do corredor de BRT Transbrasil, que ligará Deodoro ao Centro. Mesmo assim, a prefeitura garante que a obra fica pronta ainda neste semestre. A última previsão de inauguração é maio. A razão para a ausência de trabalhadores nos canteiros, segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada está na demissão dos funcionários por conta de uma dívida de R$ 138 milhões do município com o Consórcio Transbrasil (Odebrecht, Queiróz Galvão e OAS), responsável pelas obras. E, dos mais de 2 mil trabalhadores iniciais, restaram apenas 239, de segundo o sindicato.

Nilson Duarte, presidente do sindicato, diz que esses funcionários foram mantidos apenas para fazer pequenos reparos e serviços de manutenção para garantir a segurança da mobilidade na via. Ele contou ainda que em novembro o consórcio deu férias coletivas aos 1.300 que havia na época e em dezembro promoveu novas demissões. Dos que deveriam retornar ao trabalho em fevereiro, 665 foram postos em aviso prévio.

— Para essa obra terminar em maio eles precisariam ter hoje 3 mil trabalhadores atuando em todos os pontos em que as obras estão praticamente paralisadas. Tem um série de pedaços (de obras) parados e que não tem ninguém (trabalhando). Isso é o indicativo de os repasses (de verba) não terem acontecido até o presente momento — acredita.

Leia Mais:Consórcio suspende obras da Transbrasil por dívida da prefeitura

O GLOBO percorreu na manhã desta segunda-feira todo o trecho de intervenção e encontrou operários em apenas dois pontos. Na altura do Caju, um grupo trabalhava na montagem de uma passarela. A outra equipe atuava num viaduto, em Coelho Neto. Juntos os dois grupos não somavam 20 trabalhadores.

As obras do BRT Transbrsail começaram em novembro de 2014, com a previsão inicial de terminarem em meados de 2016, a tempo de serem inauguradas para os jogos olímpicos. Uma série de atrasos e, pelo menos, duas paralisações atropelaram o cronograma. A promessa anterior da prefeitura era terminar a construção no fim de 2019, o que mais uma vez não se cumpriu. Hoje, quem passa pela Brasil custa acreditar que as obras estejam perto do fim, pelo que vê. Ou melhor, pelo que não vê.

— É muita coisa coisa pendente. Não fica pronta tão cedo. O atraso nas obras é muito ruim para quem passa por aqui, pois provoca o afunilamento da via. Os canteiros da obra que não acaba nunca gera transtornos, sem falar nos bolsões de água quando chove — reclama o motorista João Marcos de Souza, de 37 anos, morador do Cachambi, que utiliza a Brasil diariamente.

Com cerca de 30 quilômetros de extensão, o quarto corredor de BRT da cidade — se soma ao Transoeste, Transolímpica e Transcarioca — vai iniciar a operação com ônibus articulados de 23 metros e tem a previsão de transportar 100 mil passageiros, por dia. A Secretaria municipal de Transportes informou que, em fases posteriores, está prevista a integração dos ônibus da Zona Oeste no Terminal Deodoro, dos ônibus da Rodovia Presidente Dutra no Terminal Margaridas e dos ônibus da Rodovia Washington Luiz no Terminal Missões.

Nenhum desses terminais entrou em obra ainda. No terreno do Trevo das Margaridas, onde será erguido um dos terminais, a única coisa que mudou foi a desativação de um posto de vistoria do Detran, que funcionava no local até o fim do ano. Também não há sinal ainda de nenhum das 28 estações previstas no projeto. Das 15 passarelas programadas, pouco mais da metade começou a ser montada, algumas inclusive já estão sendo utilizadas pela população para atravessar de um lado a outro da via.

Procurada, a prefeitura informou, sobre a dívida, que “empenho e pagamento da Transbrasil foi feito na última semana de fevereiro, inclusive, com publicação em edição extra do Diário Oficial”. O município informou ainda que as obras vão seguir o cronograma com previsão de conclusão para o primeiro semestre desse ano.

Sobre possíveis demissões, a prefeitura disse não ter como se pronunciar, por ser “um assunto do consórcio e deve ser respondido por eles”. O consórcio também foi procurado, mas ainda não respondeu. A respeito o número de operários que estão trabalhando nas obras, a prefeitura deu a seguinte resposta: “É importante ressaltar que, a medida que as frentes de obra vão sendo concluídas, é natural que o número de funcionários seja reduzido”.