Sindicato diz que governo está escondendo números do desmatamento na Amazônia

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SÃO PAULO - Os dados anuais sobre desmatamento da Amazônia, colhidos pelo sistema Prodes, estão prontos há quase um mês, mas segundo o sindicato que representa funcionários do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), vêm sendo omitidos do público desde então.

Segundo o SindCT (Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial), o governo atrasou intencionalmente a divulgação dos números para não criar uma fragilidade a mais para si na COP26, a conferência do clima de Glasgow, encerrada no último sábado.

"Informações seguras mostram que o relatório técnico para a estimativa preliminar da taxa anual do Prodes foi finalizado no período normal, em meados de outubro", afirma nota da entidade.

"O documento foi enviado, através do Sistema Eletrônico de Informações [SEI] no modo 'documento público', para o diretor do Inpe, que enviou ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação)", prossegue o comunicado. "No dia 10 de novembro, quando fez seu pronunciamento, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, já deveria estar de posse da taxa anual de desmatamento."

O Prodes é o sistema de monitoramento da Amazônia baseado em imagens dos satélites Landsat, da Nasa, usado para estimar a taxa anual de desmate. Por requerer um conjunto de imagens grande, produzidas ao longo de várias órbitas na Terra, esse sistema divulga suas informações com periodicidade anual, com o "ano-fiscal" do desmate indo de agosto de um ano a julho do ano seguinte.

Um outro sistema de monitoramento menos sensível que o Prodes, o Deter, é operado pelo Inpe para abastecer o Ibama com dados para fiscalização em tempo real. Durante o ano fiscal de 2020-2021, o Deter apontou para uma taxa de desmatamento grande de 8.793 km². Como esse sistema não captura todas as áreas que sofreram corte raso da mata, é bem provável que o desmatamento da Amazônia medido pelo Prodes fique em mais de 10 mil km² pelo terceiro ano seguido, o dobro do "piso" registrado pela taxa, em 2012.

Durante a COP26, Joaquim Leite afirmou que não tinha ainda os números do Prodes em mãos e não quis comentar os números do Deter, que registrou taxas altas nos últimos meses.

A reportagem do GLOBO perguntou ao MCTI e ao MMA se os números anuais da taxa do Prodes já foram comunicados pelo Inpe, mas não obteve resposta até o horário de publicação desta notícia.

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