Sindicato dos professores de SP acusa prefeitura de provocar aglomeração durante testagem: 'Fila de Covid'

João de Mari
·6 minuto de leitura
  • Sindicato acusa Prefeitura de São Paulo de provocar aglomeração em testagens para Covid-19 em unidades do CEUs

  • Professores relatam que temem contaminação devido a aglomeração

  • Prefeitura diz que vai realizar novas orientações para evitar tumulto

O Sindicato dos Servidores Município de São Paulo (Sindisep) reuniu diversas denúncias de professores da rede pública municipal da cidade de São Paulo acusando aglomerações nos Centros Educacionais Unificados (CEUs), na manhã desta segunda-feira (5), durante o primeiro dia de testagem para a Covid-19.

Isso porque começou, nesta segunda-feira (5), a testagem para diagnosticar o coronavírus em profissionais que atuam presencialmente em unidades de educação, entre educadores e equipe escolar. A ideia é agilizar o retorno das atividades presenciais. 

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No dia 25 de setembro do ano passado, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), afirmou que iria realizar um censo sorológico em toda rede municipal de ensino para avaliar a volta às aulas presenciais na capital.

"Nós vamos testar os 102 mil profissionais da educação do município e os 675 mil alunos acima de 4 anos de idade, portanto 777 mil pessoas aqui na cidade de São Paulo, o que equivale à população de São José dos Campos", disse Covas em coletiva de imprensa.

De acordo com a prefeitura, seriam profissionais de 5 a 10 escolas atendidas por hora nos CEUs. O número representa pelo menos 50 professores e funcionários em cada escola, o equivalente a no mínimo 250 pessoas por hora, o que "certamente causaria aglomeração", disse ao G1 uma coordenadora pedagógica de uma escola da Zona Sul da capital.

Nas contas do Sindisep, a situação foi ainda pior. Segundo a entidade, ao menos cinco pontos de testagens rece eram apenas 200 kits de testes, sendo que a expectativa diária é de "milhares de trabalhadores para a testagem". 

São eles:

  • CEU Aricanduva

  • CEU Paulistano

  • CEU Alto Alegre

  • CEU Formosa

  • CEU Curuçá

No CEU Alto Alegre, receberam apenas 200 kits de coleta, mas haviam muitos mais trabalhadores para realizar as testagem (Foto: Reprodução/Redes Sociais Sindsep)
No CEU Alto Alegre, receberam apenas 200 kits de coleta, mas haviam muitos mais trabalhadores para realizar as testagem (Foto: Reprodução/Redes Sociais Sindsep)

"Em diversos pontos a senha já acabou, mas a fila não para de crescer. Até o fechamento deste texto, por exemplo, os testes já acabaram no CEU Aricanduva enquanto ainda há muitas pessoas aguardando na fila", informou o Sindsep em um comunicado divulgado por volta das 13h desta segunda-feira (5).

Professores temem contaminação

Após o episódio, na manhã desta segunda-feira (5), os professores relataram ao sindicato que temem a contaminação pela doença ao se aglomerar em filas aguardando as testagens.

Em um vídeo, é possível ver professores discutindo com guardas da GCM devido a aglomeração em uma unidade de testagem. (Veja vídeo no iníco da matéria)

"Ao invés de ajudar com o controle de casos, o que se vê é uma total desorganização. O Prefeito Covas e o secretário da Educação, Fernando Padula, promovem uma verdadeira 'fila do Covid'. A desorganização e um processo demorado relatados pelos presentes aumentam a espera e a aglomeração. É mais uma falta de respeito e cuidado com seus trabalhadores por parte de Bruno Covas e a secretaria de Educação. A vida dos trabalhadores e das trabalhadoras pouco importa", diz nota do Sindsep.

O sindicato também critica o uso do teste sorológico em vez do PCR. O exame sorológico avalia a presença de anticorpos específicos (IgM/igG). Portanto, identifica quem já se contaminou com o coronavírus e já produziu anticorpos — ele é usado para monitorar a porcentagem da população que já teve contato com o vírus. 

De acordo com o sindicato, houve aglomeração também no CEU Butantan, na Zona Oeste (Foto: Reprodução/Redes Sociais Sindsep)
De acordo com o sindicato, houve aglomeração também no CEU Butantan, na Zona Oeste (Foto: Reprodução/Redes Sociais Sindsep)

A presença de anticorpos no organismo, no entanto, não significa que a pessoa está imune à doença. Já o teste PCR detecta se a pessoa está com o vírus no momento do teste.

"Defendemos uma testagem pautada na situação sorológica atual dos alunos, famílias e profissionais. Com todo este movimento midiático, a SME e Bruno Covas tentam trazer para a opinião pública a falsa sensação de que estão dando condições para a retomada das aulas presenciais, garantindo a exigência do lobby dos empresários da educação: donos das escolas privadas e particulares."

Nas redes sociais, a vereadora por São Paulo, Erika Hilton (PSOL), criticou a ação de Covas dizendo que é um "desrespeito a vida e aos profissionais da educação".

"De forma desorganizada, gerando aglomeração no pior momento da pandemia, Covas decidi fazer testagem em massa nos profissionais da educação na tentativa de força a volta as aulas. Um desrespeito a vida e aos profissionais da edução que não tem condições de voltar pra sala de aula", escreveu ela no Twitter.

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Em nota, a prefeitura de São Paulo afirmou que as equipes serão reforçadas para o atendimento dos professores e servidores da Educação e que "foram realizadas novas orientações para que os protocolos de distanciamento sejam cumpridos". (Veja nota na íntegra no final da matéria)

Vacinação de professores começa no dia 12

Em todo o estado de São Paulo, professores começarão a ser vacinados contra o coronavírus a partir de 12 de abril. O anúncio foi feito em março pelo governador João Doria e pelo Secretário de Educação do estado, Rossieli Soares.

No ´último dia 1º, o governo do estado de São Paulo divulgou um site para cadastro obrigatório aos profissionais de educação que começarão a ser vacinados a partir do dia 12 de abril. O anúncio foi feito por Rossieli Soares, secretário de Educação do governo de João Doria (PSDB).

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, os servidores só poderão receber a primeira dose da vacina após o sistema validar o cadastro e gerar um código, que deverá ser apresentado nas unidades de saúde dos municípios.

Para receber a vacina os profissionais devem fazer o cadastro no site https://vacinaja.educacao.sp.gov.br/, com informações do CPF, nome completo e e-mail.

Nota na íntegra

"A Prefeitura de São Paulo, por meio das Secretarias Municipais de Educação e Saúde, esclarece que as equipes serão reforçadas para o atendimento dos professores e servidores da Educação. Também foram realizadas novas orientações para que os protocolos de distanciamento sejam cumpridos. A ação, iniciada nesta manhã (05), será realizada entre os dias 5 e 8 de abril.

Será realizado o mapeamento sorológico em profissionais da Rede Municipal de Ensino, nos 46 Centros Educacionais Unificados (CEUs). Podem comparecer para a testagem todos os que atuam presencialmente nas unidades municipais: Equipes Gestora, Docente e de Apoio, Auxiliares de Desenvolvimento Infantil, Instrutores de Bandas e Fanfarras, Auxiliares de Vida Escolar – AVE, Mães Guardiãs, estagiários, equipes de serviço de limpeza e cozinha terceirizada e os condutores e monitores do Programa de Transporte Escolar Gratuito – TEG.

Com relação aos casos citados pela reportagem, as secretarias esclarecem que existe uma alta expectativa da parte dos profissionais e servidores de educação para identificarem a resposta imunológica frente à Covid-19."