Sindicatos e empresários criticam governo panamenho por nova quarentena pela covid-19

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Vendedora de frutas usa face shield por cima da máscara facial na Cidade do Panamá, em 14 de dezembro de 2020

Grupos sindicais e empresariais criticaram a decisão do governo panamenho de voltar a decretar uma quarentena total pela pandemia de covid-19, uma medida defendida nesta terça-feira (29) pelo presidente, Laurentino Cortizo.

"Sei que as medidas que tomei de 4 a 14 de janeiro não são fáceis para ninguém, mas como presidente da República, tenho que tomar decisões", disse Cortizo durante um ato público.

"Não há forma de avançarmos se não corrigirmos o comportamento social, acreditem em mim, não há receita se não corrigirmos isso", acrescentou o presidente.

Suas declarações ocorreram após o repúdio de sindicatos e empresários à decisão do governo de decretar uma quarentena de 4 a 14 de janeiro nas províncias de Panamá, onde fica a capital e a vizinha, Panamá Oeste.

A medida inclui a suspensão da jornada de trabalho e restringe a mobilidade por gênero.

Pouco antes da intervenção de Cortizo, centenas de trabalhadores convocados por vários sindicatos protestaram em vários pontos do país.

As organizações operárias temem que milhares de contratos voltem a ser suspensos, após a progressiva reativação da economia panamenha.

"Pretender voltar a nos fechar sem salário é uma medida que não vai ser aceita", destacou Saúl Méndez, secretário-geral do poderoso sindicato da construção, o Suntracs.

"É inaceitável que se continue colocando todo o peso da crise na parte mais vulnerável da população", acrescentou.

As principais organizações empresariais também rechaçaram a decisão, pois "atenta contra a sustentabilidade das empresas".

"Estabelecer uma nova quarentena gerará uma deterioração contínua do setor produtivo formal e o fechamento definitivo de operações de centenas de empresas e milhares de empregos perdidos", afirmou o presidente do Conselho Nacional da Empresa Privada (Conep), Julio De La Lastra.

Desde setembro, com a reabertura da economia, só foram reativados 105.000 contratos, dos mais de 250.000 suspensos desde março. Além disso, só foram reabertas 8.000 de 20.000 empresas.

Segundo cifras oficiais, o desemprego no Panamá disparou em um ano de 7,1% para 18,5% e a economia encolheu 18,9% no primeiro semestre de 2020.

"Agora o que temos em risco é que nem mesmo possamos continuar sustentando os 105.000 contratos reativados", declarou Elisa Suárez, presidente da Associação Panamenha de Executivos de Empresa.

O Panamá, com 4,2 milhões de habitantes, acumula o maior número de contágios da América Central, com 233.000 infectados e 3.892 falecidos.

Em 23 dias, soma mais de 52.000 novos casos e 728 mortos, o que provocou a superlotação de hospitais e necrotérios do país.

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