Sinn Fein pede a unionistas norte-irlandeses que aceitem formar governo

A líder do Sinn Fein norte-irlandês, Michelle O'Neill, durante entrevista coletiva na sede do parlamento em Stormont, em 9 de maio de 2022 (AFP/PAUL FAITH) (PAUL FAITH)

Após sua vitória eleitoral histórica, o partido republicano Sinn Fein pediu, nesta segunda-feira (9), aos unionistas norte-irlandeses do DUP que "não mantenham a sociedade refém", devido às tensões provocadas pelo Brexit, e permitam a formação de um governo.

"Minha mensagem é clara: como democratas, não só o DUP, mas também o governo britânico, devem aceitar e respeitar o resultado democrático destas eleições", disse Michelle O'Neill, líder do Sinn Fein que deve assumir o cargo de primeira-ministra.

O partido, antigo braço político do grupo paramilitar IRA, superou os unionistas nas eleições regionais da última quinta-feira pela primeira vez desde a criação da região britânica da Irlanda do Norte há um século, após a independência da República da Irlanda.

A vitória eleitoral concede teoricamente ao Sinn Fein o posto de primeiro-ministro.

Mas, devido ao tratado de paz de 1998 - que pôs fim a três décadas de conflito entre republicanos católicos e unionistas protestantes -, o governo autônomo regional deve ser formado em coalizão com o DUP, que, até agora, liderava o executivo.

Contudo, o DUP condicionou sua participação à resolução de Londres da polêmica questão envolvendo os controles aduaneiros pós-brexit.

"Esta é a posição que tínhamos antes das eleições, durante a campanha e que mantemos: até que o governo britânico não tome medidas sobre o protocolo da Irlanda do Norte, não nomearemos ministros para o governo", repetiu hoje o seu líder, Jeffrey Donaldson.

- Flexibilidade -

O'Neill, por sua vez, pediu "a formação de um executivo eficaz hoje mesmo". "Não há razão para um adiamento", acrescentou. "Há questões no protocolo que poderiam ser suavizadas para permitir uma aplicação mais fluida. Sempre fomos favoráveis a isso, mas não apoio a intenção do DUP de manter a sociedade refém", acrescentou.

O chamado Protocolo da Irlanda do Norte, negociado entre Londres e Bruxelas como parte do brexit, entrou em vigor no início de 2021 e introduz controles alfandegários às mercadorias que chegam à região britânica vindas de outras partes do Reino Unido.

Os unionistas, no entanto, o denunciam como uma ameaça a seu lugar dentro do país e temem que essa divisão administrativa, criada para não reintroduzir uma fronteira física com a República da Irlanda, acabe levando à reunificação da ilha, separando-a do Reino Unido.

Por sua vez, o ministro britânico para a Irlanda do Norte, Brandon Lewis, pediu aos partidos políticos da região que "cumpram com suas responsabilidades" e formem um governo "o mais rápido possível".

O DUP derrubou o executivo norte-irlandês em fevereiro com a renúncia de seu primeiro-ministro, Paul Givan, para marcar sua oposição ao protocolo.

Londres vem tentando renegociar o texto com Bruxelas, mas sem avanços significativos até agora, e já ameaçou suspender unilateralmente algumas disposições do mesmo caso não haja acordo.

Por outro lado, a República de Irlanda - país-membro da UE - apoia a posição de Bruxelas, pois, segundo afirmou o primeiro-ministro Michael Martin em declarações à emissora RTE, a UE "mostrou flexibilidade", mas esta não "tem sido recíproca".

Já o vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, pediu ao governo britânico que "baixe o tom, seja honesto com o acordo e aceite soluções dentro do mesmo".

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