"Me sinto gay", diz presidente da Fifa em tentativa de criar empatia com marginalizados

Por Nick Mulvenney

AL RAYYAN, Catar (Reuters) - O presidente da Fifa, Gianni Infantino, causou surpresa neste sábado ao tentar demonstrar empatia com grupos marginalizados ao dizer a jornalistas no Catar "eu me sinto gay... me sinto como um trabalhador migrante".

Infantino abriu a tradicional entrevista coletiva pré-Copa do Mundo no sábado com um longo monólogo rebatendo os críticos ao Catar, que sedia o torneio, por conta do histórico do país em relação aos direitos humanos.

"Hoje, me sinto catari. Hoje me sinto árabe. Hoje me sinto africano. Hoje me sinto gay. Hoje me sinto deficiente. Hoje me sinto como um sem-teto, hoje me sinto como um trabalhador migrante", disse.

"Eu sinto tudo isso porque o que eu vejo...me leva de volta à minha história pessoal."

Infantino então detalhou como cresceu como filho de trabalhadores migrantes na Suíça, e como havia sido vítima de assédio e ataques por seu sotaque, e por ter cabelo ruivo e sardas.

"É claro, eu não sou catari, eu não sou árabe, eu não sou africano, eu não sou gay, eu não sou deficiente", acrescentou depois.

"Mas eu me sinto assim, pois eu sei o que significa ser discriminado, ser vítima de bullying, como um estrangeiro em um país diferente."

Os direitos LGBT têm sido uma questão sensível para os críticos da Copa no Catar, já que as relações entre pessoas do mesmo sexo são ilegais e puníveis com até três anos de prisão no Catar.

"A julgar pelas redes sociais, seus comentários de que você se sente gay causaram a surpresa para muitos na comunidade homossexual", apontou um jornalista antes de fazer uma pergunta a Infantino.

"Porque, você está dizendo que, se você realmente fosse gay, você não poderia dizer isso porque estaria admitindo efetivamente uma ilegalidade."

O diretor de relações de imprensa da Fifa, Bryan Swanson, no entanto, concluiu a entrevista coletiva com uma mensagem pessoal de apoio ao chefe.

"Eu vi muitas críticas a Gianni Infantino desde que cheguei à Fifa, especialmente da comunidade LGBTI", disse. "Estou aqui em uma posição privilegiada, num palco global como um homem gay aqui no Catar. Ele recebeu garantias de que seria bem vindo... só porque Gianni Infantino não é gay, não significa que ele não se importa. Ele se importa."