Sisi diz que Irmandade Muçulmana pode desempenhar papel no Egito se povo quiser

Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, em cerimônia no palácio presidencial no Cairo. 10/10/2015 REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

Por Kylie MacLellan LONDRES (Reuters) - O presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, indicou que a hoje proscrita Irmandade Muçulmana pode voltar a atuar na vida pública se os egípcios aceitarem, antes de partir para visita à Grã-Bretanha criticada por ativistas de direitos humanos. Sisi, que conduziu a pior repressão a islâmicos na história moderna do Egito depois de depor o presidente Mohamed Mursi, membro da Irmandade, chegará a Londres nesta quarta-feira e irá se encontrar com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, para reforçar os laços entre as duas nações. A visita despertou críticas de ativistas e de alguns políticos. O líder da oposição britânica afirmou que a viagem mostra “desprezo pelos direitos humanos e democráticos”, e ativistas exortaram Cameron a pressionar Sisi na questão dos direitos humanos. Em entrevista à rede BBC, Sisi sinalizou um possível abrandamento da postura em relação à Irmandade Muçulmana, que ele declarou ser um grupo terrorista. “O problema não se encontra no governo e não se encontra em mim. Encontra-se na opinião pública, nos egípcios. Os egípcios são pessoas pacíficas e não gostam de violência. Eles reagiram contra a Irmandade Muçulmana e desconfiam dela”, afirmou Sisi na entrevista, que deve ser exibida na íntegra na quinta-feira. “Este país é grande o suficiente para acomodar todos nós. Eles são parte do Egito, e por isso o povo egípcio deve decidir que papel eles podem desempenhar”. A Irmandade, o movimento islâmico mais antigo do Oriente Médio e há tempos a principal força opositora da política egípcia, diz estar comprometida com o ativismo pacífico com vistas a reverter o que classifica como um golpe militar – a tomada de poder de Sisi das mãos de Mursi em 2013. Forças de segurança mataram centenas de apoiadores de Mursi durante protestos de rua, e milhares de outros foram presos. Líderes veteranos da Irmandade foram condenados à morte, no que grupo de direitos humanos chamaram de julgamentos ilegais.

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