Sissoko também ataca médicos sobre testes na África: "é um escândalo"

O ex-meio campista do Liverpool Mohamed Sissoko foi mais um jogador a criticar as falas de médicos franceses que são favoráveis a testes sobre vacinas da Covid-19 na África.

"O que aqueles dois médicos falaram é realmente um escândalo", disse Sissoko em entrevista exclusiva à Goal. "Não consigo entender o por quê eles não foram demitidos e nem o por queê de não haver comentários criticando as falas deles".

A polêmica começou quando Jean Paul Mira, um dos diretores do Hospital Cochin de Paris, e Camille Locht, diretor do INSERM (organização pública francesa exclusivamente dedicada às pesquisas biológicas) afirmaram que a busca pela vacina contra o coronavírus deveria ser feita na África e não na Europa. A justificativa dos médicos é de que a África tem menos condições de combater a nova doença e isso poderia ajudar o continente.

"Você tem que combater esse tipo de discurso e tomar as medidas necessárias porque as falas deles sobre a África são completemente inadmissíveis", adicionou Sissoko.

O jogador de 35 anos é nascido na França mas defende a seleção de Mali. Ele não foi o primeiro futebolista que criticou a fala dos franceses. Drogba e Eto'o também se manifestaram revoltados com as palavras de Locht e Mira à rede de televisão LCI.

"Neste momento, nós deveríamos realmente saber que isso não é piada. Quando você fala sobre o povo africano, ou sobre qualquer pessoa, você deve ser responsável e ter cuidado com o que fala", compeltou Sissoko.

"A África não está sofrendo tanto com a Covid-19 quanto a Europa, mas o que foi dito sobre 'há pobreza lá, podemos fazer alguns testes' não poderia acontecer desta forma".