Sistema financeiro evoluiu, mas há espaço para avanços, dizem especialistas no Rio Innovation Week

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RIO - O sistema financeiro brasileiro vem passando por uma transformação nos últimos anos e há espaço nesse ecossistema para avançar ainda mais, na opinião de executivos do setor que participaram hoje de painel intitulado “Os novos meios de pagamento”, no Rio Innovation Week, encontro de inovação que vai até domingo na cidade.

Foi a partir da regulação do Banco Central que se abriu o caminho para inovações no sistema financeiro nacional, disseram os painelistas. Houve consenso no debate, porém, que, apesar das mudanças em curso, os cinco bancos tradicionais ainda têm uma posição dominante no mercado financeiro nacional.

— Estamos em um mercado muito oligopolizado, em que os grandes bancos concentram 70%-80% das operações. Mas esse é um cenário que vai continuar passando por uma disrupção — disse Cristiano Ayres, presidente do ModalMais.

Além das “maquininhas” de crédito e débito, que se popularizaram nos anos recentes e permitiram o surgimento de novas empresas nesse segmento, há um leque de outros novos serviços e produtos financeiros: o surgimento de centenas de fintechs, bancos digitais, a expansão do mercado das criptomoedas, na esteira de um movimento mundial; o sistema de pagamentos instantâneos, que permitiu a criação do Pix, e o “open banking”, com o compartilhamento das informações dos clientes do bancos. E esse deve ser só o começo.

— Tem uma transformação grande no ecossistema financeiro como um todo, com o Banco Central sendo mais agressivo na forma e nos prazos (da implementação dessas mudanças) — disse Ayres.

Ele afirmou que a digitalização do sistema financeiro é um processo “sem volta”. E acrescentou:

— O BC vem com a inovação e com a oportunidade dando trilho para fazer (as mudanças) de forma mais acelerada e eficiente nos próximos anos.

Também presente ao painel, o advogado Felipe Prado, sócio do BMA advogados e responsável pela área de regulação do mercado financeiro e de capitais, disse que o “pontapé” inicial foi o arcabouço regulatório dos meios de pagamentos.

A lei é de 2013. A partir de então, afirmou, surgiu a agenda BCMais, que em 2018 virou BC#, em que o Banco Central ganhou uma personalidade “mais jovem e moderna”, buscando transparência e tirando, segundo Prado, o “estigma” de que atuar no sistema financeiro brasileiro era coisa para grandes bancos e para poucos.

— Os últimos sete anos foram de muita evolução de todo o sistema — afirmou.

Os painelistas disseram que os avanços do BC nessa área, com foco maior na competitividade do sistema, foram desenvolvidos tanto por Roberto Campos Neto, atual presidente do BC, como pelo seu antecessor, Ilan Goldfajn.

Rodolfo Reichert, presidente da Genial Investimentos, acredita, porém, que a regulação deve vir depois da inovação.

— Tem que criar o faroeste para depois trazer o xerife — disse. Ele avalia, no entanto, que, apesar da profusão de fintechs, não faz sentido “qualquer um” querer ter um banco. Se não houver escala não faz sentido, disse.

— Às vezes somos abordados por gente que quer montar uma fintech e não sabe por quê. Acho que o que precisamos é melhorar mais os agentes que estão atuando em um mercado que ainda é dominado pelos grandes bancos — afirmou Reichert.

O executivo afirmou ainda que o “open banking” é o “paraíso do consumidor e o inferno dos bancões.” Ele disse que o compartilhamento de dados dos clientes, pelos bancos, envolve uma base de dados “valiosa”.

Embora reconheça que haja preocupação das pessoas com a segurança dos dados, na teoria, segundo ele, quanto mais se oferecem dados, melhor é a capacidade do sistema de fazer ofertas customizadas. Isso pode fazer, por exemplo, que duas pessoas que moram em um mesmo prédio paguem taxas de juros diferenciadas no crédito, afirmou.

Também houve concordância, no painel, sobre as oportunidades de crescimento das criptomoedas. Ayres, do ModalMais, disse ser um “entusiasta” da tecnologia que sustenta os criptoativos.

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