ONU: situação na Coreia do Norte pode sair do controle

Ban Ki-moon (e) é recebido pelo premier da Itália, Mario Monti

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, fez um apelo ao apaziguamento nesta terça-feira, ao se referir à situação na Coreia do Norte, ressaltando que "o nível de tensão atual é muito perigoso".

"Um pequeno incidente causado por um erro de cálculo ou por uma interpretação mal feita pode desencadear uma situação fora de controle", advertiu Ban diante da imprensa em Roma, depois de um encontro com autoridades políticas italianas e com o novo papa Francisco.

O chefe sul-coreano das Nações Unidas pediu "o apaziguamento das tensões e a abertura de um diálogo".

"O nível das tensões na península coreana não beneficia ninguém", alertou.

"Pedi aos países envolvidos dentro e em torno da península coreana que exerçam sua influência sobre os dirigentes norte-coreanos. Conversei com os dirigentes chineses e falarei com o presidente (americano Barack) Obama na quinta", explicou Ban.

Ele disse que vai "trabalhar muito duro pela paz na península coreana".

"Como cidadão (sul) coreano, estou profundamente preocupado e chocado", acrescentou o secretário-geral das Nações Unidas.

Ban também lançou um apelo à reabertura do complexo industrial intercoreano de Kaesong, que as autoridades norte-coreanas fecharam provisoriamente e de onde retiraram 53.000 trabalhadores.

"É o projeto de cooperação mais bem sucedido entre o Norte e o Sul e pode permitir que ampliem suas relações. Peço novamente que o reabram. Ele não deve ser afetado por considerações políticas, já que este é um projeto puramente econômico", explicou Ban.

A Coreia do Norte agitou novamente nesta terça a ameaça de uma guerra nuclear, pedindo aos estrangeiros na Coreia do sul deixem o país, depois de ter cumprido sua ameaça de retirar os trabalhadores norte-coreanos de Kaesong.

Mais tarde, em um comunicado sobre o encontro entre Ban e o chefe do governo italiano, Mario Monti, lembrou que "a Itália considera totalmente inaceitável a ameaça do recurso ao uso da força" e que "provocações e declarações alarmistas devem parar imediatamente".