Situação das mulheres é ‘linha vermelha’ no Afeganistão, diz Bachelet

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GENEBRA e CABUL — A forma como o Talibã trata as mulheres, especialmente em relação ao seu direito à educação, representará uma “linha vermelha”, alertou a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, nesta terça-feira. Diante do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que realizou uma sessão especial sobre o Afeganistão, a ex-presidente chilena disse que “garantir o acesso à educação secundária de qualidade para as meninas será um indicador essencial do compromisso do grupo com os direitos humanos”.

Mais cedo, um porta-voz do grupo extremista disse que as afegãs poderão voltar ao trabalho “quando a segurança estiver garantida”.

— Uma linha vermelha crítica será como o Talibã tratará as mulheres e meninas e respeitará seus direitos à liberdade, liberdade de movimento, educação, expressão pessoal e emprego, de acordo com os padrões internacionais de direitos humanos — disse Bachelet.

Em entrevista a jornalistas em Cabul, nesta terça-feira, o porta-voz do grupo disse que as mulheres devem ficar em casa por enquanto.

— Queremos que elas trabalhem, mas também que a segurança seja boa para isso — afirmou Zabihullah Mujahid.

Enquanto esteve no comando do Afeganistão, entre 1996 e 2001, quando foi derrubado pela invasão americana após os atentados do 11 de Setembro, o grupo fundamentalista aplicava no país uma versão ultraconservadora da lei islâmica. As mulheres eram proibidas de trabalhar fora de casa e de ir à escola a partir dos 10 anos.

Caso fossem à rua, as afegãs deveriam estar acompanhadas de um homem da família, e as punições por descumprirem as regras poderiam chegar ao apedrejamento público e execuções. Além disso, todas eram obrigadas a usar a burca, o véu que cobre o corpo da cabeça aos pés, incluindo todo o rosto. Desde que adentrou Cabul, efetivamente tomando o poder, o grupo vem prometendo que dessa vez será diferente.

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