Tropas da Ucrânia resistem em cidade-chave

As tropas ucranianas resistiam diante de efetivos russos "mais numerosos e poderosos", na cidade estratégica de Severodonetsk, anunciou nesta segunda-feira o presidente Volodimir Zelensky, enquanto a Rússia alertou para o envio de mais armas ocidentais a Kiev.

Zelensky indicou que suas tropas enfrentam forças russas "mais poderosas" em Severodonetsk, cidade estratégica no leste que vem sendo bombardeada há semanas. "Estamos resistindo, mas eles são mais numerosos e mais poderosos", disse a repórteres em Kiev. O líder ucraniano informou que o comando do país tomaria "decisões de acordo com a situação".

"Os combates são intensos em Severodonetsk. Nossos defensores conseguiram contra-atacar e libertar metade da cidade, mas a situação se agravou para nós", declarou horas antes Sergei Gaidai, governador da região de Lugansk, ao canal de televisão ucraniano 1+1, sem revelar mais detalhes.

"Os russos destroem tudo com sua tática habitual de terra arrasada, para que que não reste mais nada por defender", acusou.

Com base em comunicações interceptadas do comando russo, o governante advertiu para uma possível intensificação da ofensiva sobre esta cidade industrial "até 10 de junho".

Para Moscou, que há alguns dias havia assumido o controle quase total da cidade, conquistar Severodonetsk seria uma alavanca para assumir completamente a bacia de mineração de Donbass.

A resistência ucraniana em Severodonetsk "provavelmente continuará captando a atenção das forças russas na região de Lugansk e provocará vulnerabilidades nos esforços defensivos russos na região de Kharkiv (nordeste) e ao longo do eixo meridional", analisou no domingo o Instituto dos Estados da Guerra (ISW) dos Estados Unidos.

Como o governo americano já havia feito, o Reino Unido anunciou que fornecerá para a Ucrânia lança-foguetes de longo alcance (80 quilômetros), ignorando as advertências contrárias do presidente russo Vladimir Putin.

- 'Filme de terror' -

Os disparos de artilharia ficaram mais intensos em Severodonetsk e na vizinha Lysychansk, onde o aposentado Oleksandr Lyakhovets conseguiu escapar de sua casa e salvar o gato das chamas provocadas por um bombardeio russo. "Atiram sem parar... é um filme de terror", contou à AFP o homem, 67 anos.

Lysychansk, cidade vizinha de Severodonetsk - separada apenas pelo rio Donets -, foi um dos pontos visitados pelo presidente Zelensky no domingo, em uma viagem que serviu para "constatar a situação operacional na linha de frente", segundo o governo.

As forças russas continuavam sua ofensiva em outras frentes no leste da Ucrânia. Segundo o Ministério da Defesa russo, suas tropas atacaram três depósitos de armas e um depósito de combustível perto da cidade de Kodema, na região de Donetsk.

Kiev alertou que a situação na região de Kherson, um pouco mais ao norte, era crítica. Não há "redes de telefonia móvel e internet, alimentos, remédios e dinheiro". E em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, novos ataques russos atingiram uma fábrica de carros blindados perto de Lozova, segundo Moscou.

Pelo menos 10 pessoas morreram na região nas últimas 24 horas, de acordo com Kiev. A Ucrânia disse que repeliu sete ataques em Donetsk e Lugansk. Mas as tropas russas, admite, ocupam um quinto do território e impuseram um bloqueio aos portos do Mar Negro, provocando temores de uma crise alimentar global.

"Atualmente, 20 a 25 milhões de toneladas de cereais estão bloqueadas e, neste outono, esse número pode subir para 70 a 75 milhões de toneladas", alertou Zelensky. Em contrapartida, o Exército ucraniano assegurou nesta segunda-feira que fez recuar a frota russa em mais de cem quilômetros da costa.

O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, acusou o Kremlin de "chantagem" por paralisar as exportações, e afirmou que são confiáveis as informações de que está roubando a produção ucraniana.

- Mísseis de longo alcance -

Os ucranianos pedem há várias semanas lança-foguetes para que consigam atacar as posições russas e, ao mesmo tempo, posicionar suas baterias mais distantes da frente de batalha.

No domingo, as autoridades ucranianas afirmaram que o conflito com a Rússia virou uma guerra de desgaste e que precisam do envio constante de ajuda militar para derrotar o exército russo, que já ocupa 20% do território da Ucrânia.

O Reino Unido prometeu enviar lança-foguetes M270 MLRS, com um alcance de 80 quilômetros, que "aumentarão significativamente as capacidades das forças ucranianas", anunciou o ministério da Defesa britânico em um comunicado.

A decisão foi tomada em "estreita coordenação" com Washington, que anunciou na semana passada o fornecimento de equipamentos do sistema Himars, lança-foguetes que permitem disparos múltiplos e são instalados em veículos blindados leves com alcance similar aos dos equipamentos do Reino Unido.

Especialistas militares destacam que este alcance é ligeiramente superior ao de sistemas análogos russos, o que permitiria à Ucrânia atacar a artilharia inimiga sem ser atacada por esta.

O chanceler russo, Serguei Lavrov, também fez um alerta aos países ocidentais a respeito do envio de armas de longo alcance à Ucrânia. "Quanto mais armas de longo alcance enviarem, para mais longe do nosso território as empurraremos".

Por outro lado, Lavrov foi obrigado hoje a cancelar uma visita à Sérvia, um dos poucos Estados europeus que se mantêm próximos de Moscou, depois que vários países vizinhos lhe fecharam o espaço aéreo.

Em entrevista coletiva, Lavrov descreveu como "inconcebível" e "escandalosa" a decisão dos três países europeus, um gesto considerado "hostil" pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Em sua batalha diplomática, Moscou ampliou a lista de americanos que não podem entrar em seu país, e Washington ordenou a apreensão de dois aviões pertencentes ao oligarca Roman Abramovich, considerado íntimo de Putin.

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