Situação em usina nuclear de Zaporizhzhia 'segue se deteriorando', diz AIEA

A situação na usina nuclear de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia, “segue se deteriorando”, alertou nesta quarta-feira (21) o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, enquanto os ucranianos acusavam a Rússia de voltar a realizar bombardeios.

“A situação segue se deteriorando e não podemos nos dar ao luxo de esperar que aconteça uma catástrofe”, disse Grossi, após uma reunião sobre a representação da França nas Nações Unidas.

O diretor da AIEA afirmou que discutiu o assunto com o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, com quem se reuniu mais cedo à margem da Assembleia Geral da ONU em sua sede em Nova York.

“Enquanto continuarem os bombardeios, os riscos são enormes”, acrescentou.

As autoridades ucranianas acusaram nesta quarta a Rússia de ter voltado a bombardear as instalações da maior usina nuclear da Europa, mas garantiram que o índice de radiação no local não estava acima do normal.

“Mesmo nas piores condições, a diplomacia nunca pode parar (...) É nossa responsabilidade fazê-lo com propostas pragmáticas e realistas, e isso é o que estamos tentando fazer”, comentou Grossi.

Ao seu lado, a ministra francesa de Relações Exteriores, Catherine Colonna, explicou que o objetivo é “uma desmilitarização da planta no marco da soberania da Ucrânia”.

Ao saber sobre os novos bombardeios, o operador público das usinas nucleares ucranianas, Energoatom, pediu nesta quarta-feira que a AIEA “atue com maior determinação” contra Moscou.

A usina de Zaporizhzhia, ocupada pelas tropas russas desde as primeiras semanas de sua invasão da Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro, tem sido alvo de constantes bombardeios nos últimos meses.

Kiev e Moscou negam a responsabilidade e acusam um ao outro de chantagem nuclear.

jri/lb/seb/db/yow/ic/mvv