'A situação não é a que gostaríamos', diz secretária de Transportes durante viagem no BRT

Rafael Nascimento de Souza
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Foto: Hector Santos/Divulgação/Subprefeitura da Zona Norte

RIO — A Secretaria municipal de Transportes (SMTR) prepara um relatório sobre as falhas do BRT e em até 15 dias o documento deverá ser entregue ao consórcio que administra o serviço. A secretária Maína Celidonio de Campos já adiantou, porém, que “muitos problemas estão sendo encontrados”. Na manhã desta terça-feira, Maína esteve no BRT em Madureira e percorreu o trajeto entre as estações Manaceia e Mercadão.

— A situação não é a que gostaríamos e não é a que queremos para a população. Estamos encontrando muitos problemas, mas, esperamos sana-los o mais rápido possível. Estamos com uma ação emergencial, nesses 15 dias, para atender as demandas e fazer um levantamento do que está necessitando — afirmou a secretária.

A entrevista foi feita em um ônibus. Questionada se pretende acompanhar a qualidade do transporte da cidade, Maína disse que vai “monitorar de perto, porque sempre é bom ver como é a situação”.

— Vamos andar sempre no transporte público, e, inclusive no BRT. Nos próximos 15 dias estaremos acompanhando de perto (para produzir o relatório). Sempre é bom ver de perto a situação — disse, reforçando que o atual sistema oferecido não está na qualidade desejada.

A nova secretária criticou um tumulto na estação de Madureira, com filas longas em decorrência a falta de articulados.

— Vimos que as filas estão grandes, entramos em contato com o consórcio para verificar essas frequências.

Pouco antes das 5h30 desta terça-feira a estação do BRT Mato Alto, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, já estava lotada. Como acontece diariamente, passageiros se amontoavam e se debatiam para entrar nos articulados e seguirem para mais um dia de trabalho. Na porta, guardas municipais observavam a confusão. Equipe do GLOBO embarcou em um desses articulados sem ar-condicionado e com alças quebradas.

Segundos após o ônibus estacionar no Mato Alto todos os assentos já estavam ocupados e o articulado estava completamente lotado. A cozinheira Marilene Santos, de 49 anos, era um dos que estavam em pé e foram espremidos até a estação do Pontal. Há um ano morando em Guaratiba, ela relata o sofrimento diário para embarcar ou desembarcar do BRT.

— É terrível. Um sofrimento diário. Ontem, quando eu voltava para casa, a porta abriu na estação do Pontal e eu ia sendo arremessada para fora. Eu me agarrei em uma mulher para não cair para fora — conta a cozinheira, acrescentando que a falta de transporte faz com que se arrependa de ter saído de Vargem Pequena, onde morava: — Você é esmagado quando vai para o serviço e quando volta. O BRT era uma salvação. No entanto, de um tempo para cá piorou muito.

No mesmo BRT estava a recepcionista Fernanda Gomes de Lima, de 35anos . Ela conta que nesta manhã, por sorte, conseguiu viajar sentada após esperar mais de uma hora pelo transporte. Fernanda diz ainda que em alguns dias da semana paga R$ 17 em um ônibus frescão para conseguir sair de Guaratiba e chegar a tempo na Barra, onde trabalha.

— Foi um milagre (ter um assento). Eu tenho que sair de casa as 4h30 porque os horários são irregulares e a gente nunca sabe se vai chegar ou não no trabalho no horário — diz a recepcionista. A gente não pede muita coisa. Só queremos mais linhas e ônibus.

Questionada pelo GLOBO sobre a situação da estação Mato Alto, Maína confirmou que a manhã “foi confusa” e que “houve uma desordem grande” durante as primeiras horas da manhã.

— Hoje a situação do Mato Alto foi confusa, mas estamos com o pessoal monitorando pelas câmeras do COR. Houve uma desordem grande lá. Estamos tentando resolver a situação.

Sobre a Guarda Municipal nas estações, a secretária diz que vai conversar com a Secretaria de Ordem Pública (Seop) para definir como serão as rondas. Há possibilidade de agentes da GM ficarem baseados em estações chaves.

— Vamos fazer um planejamento com várias equipes, porque a Guarda não tem efetivo suficiente para estar em todas as estações. Estamos avaliando como será futuramente.