Situação no Oriente Médio se agravará com ataque dos EUA, diz chefe da AI

Por Shaun TANDON
Kumi Naidoo, secretário-geral de Anistia Internacional, crê que uma intervenção militar dos EUA contra Irã apenas agravaria o sofrimento no Oriente Médio

Uma intervenção militar dos Estados Unidos em resposta ao ataque às instalações petrolíferas sauditas atribuídas ao Irã apenas agravará o sofrimento no Oriente Médio, avaliou a Anistia Internacional (AI) em entrevista à AFP.

O secretário-geral da Anistia, Kumi Naidoo, disse que o mundo deveria redobrar os esforços para acabar com a violência devastadora no Iêmen, onde a Arábia Saudita está lutando contra rebeldes huthis ligados ao Irã.

"Precisamos deter a sangria neste momento, e qualquer conversa sobre intervenção militar neste momento só exacerbará uma situação ruim", disse Naidoo em entrevista em Washington.

O ativista pelos direitos humanos advertiu sobre as lições do Iraque, onde a invasão americana em 2003, com base em descobertas de serviços de inteligência, "criou a catástrofe que temos, não apenas no Iraque, mas nos países vizinhos".

"Certos líderes políticos poderiam, por razões oportunistas, optar por ir à guerra porque poderia ajudá-los eleitoralmente", disse.

Mas ele acrescentou: "Não faço distinções entre países. Acho que muitos países se sentem à vontade tocando os tambores da guerra agora."

Os Estados Unidos atribuem ao Irã os ataques com drones do fim de semana em Abqaiq, uma das maiores instalações de processamento de petróleo do mundo, e renovaram o discurso de que o presidente Donald Trump poderia ordenar represálias militares.

Os rebeldes huthis assumiram a responsabilidade pelo ataque, mas o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirma que as evidências apontam para o Irã.

A Arábia Saudita iniciou uma intervenção militar no Iêmen em 2015, agravando o que a ONU considera ser a pior crise humanitária do mundo, com dezenas de milhares de mortes.

"Os níveis horríveis de violência que as pessoas têm sofrido, bem como o bombardeio de hospitais, a destruição da infraestrutura hídrica, etc., deveriam ser interrompidos com vontade política", declarou Naidoo.

Trump desafiou o Congresso americano com seu forte apoio à Arábia Saudita, tanto na guerra do Iêmen quanto após o assassinato do jornalista dissidente Khamal Khashoggi no ano passado, no consulado do reino em Istambul.

Trump disse que a importante compra de armas da Arábia Saudita dos Estados Unidos beneficiou a economia americana.