Smartphones chegam a novo patamar para a foto perfeita: câmeras com inteligência cognitiva

HAVAÍ — Quem comprou um celular de última geração recentemente notou que as câmeras estão cada vez mais potentes, com avanço na resolução de imagem e inteligência artificial capaz de melhorar a intensidade e o brilho das fotos.

Agora, as principais marcas de smartphones decidiram ir além: estão estreitando os laços com os fabricantes de câmeras fotográficas profissionais e adicionando sensores com a nova inteligência cognitiva, capaz de reconhecer em tempo real o que está na imagem e fazer ajustes automáticos com a promessa de conferir mais qualidade na hora do clique.

A nova leva de celulares está sendo apresentada essa semana durante o Snapdragon Summit, que reúne fabricantes de celulares e operadoras nos Estados Unidos. Juntas, as empresas estão classificando essa nova fase de fotografia computacional.

Segundo especialistas, as empresas fazem uma corrida pela foto perfeita para tentar se diferenciar num mercado cada vez mais competitivo. A câmera, diz o consultor Robert Hanaway, é uma das principais ferramentas para atrair os consumidores, sobretudo os de maior renda:

— A busca hoje é por rentabilidade. Por isso, essa aposta. E estamos vendo câmeras mais inteligentes com uma indicação de que estamos tendo mais e mais tecnologia preditiva, tentando se antecipar às necessidades do usuário. É um caminho sem volta - afirmou ele.

No evento, a Qualcomm, uma das maiores fabricantes de processadores do mundo, anunciou parceria com a Sony e Samsung para a nova geração de seus chips, o Snapdragon 8 Gen 2, presentes nos celulares com o sistema operacional Android, do Google.

Assim, as câmeras — cuja resolução já podem chegar a até 200 megapixel (MP) por foto — contam, agora, com a “segmentação semântica”, sensores que permitem o reconhecimento individual, através de uma inteligência cognitiva, do que está presente na imagem, como rosto, cabelo e roupa, por exemplo. Isso, segundo as empresas, permite, por exemplo, que o nível de brilho e cor de uma pessoa receba intensidade diferente do céu ou de uma casa.

Outra novidade nas câmeras é o sistema de detecção (sensing hub, em inglês) que reconhece gestos, como as diferentes formas de atividade física e consegue fazer o acompanhamento da íris do usuário. Além disso, as câmeras contam com a lente sempre ativada. Se por um lado isso permite detectar com mais rapidez o rosto para quem deseja ter um acesso mais rápido; por outro, esse sistema permite bloquear as notificações caso um segundo rosto seja detectado, aumentando a privacidade com o sensor “detector de rosto próximo”.

Isso foi possível graças aos sensores desenvolvidos por Sony, Samsung e Arcsoft, que juntas conseguem entregar maior número de detalhes mesmo em ambientes escuros. As soluções estarão presentes nos novos modelos da Motorola, Xiaomi e Asus, além da nova família Galaxy da Samsung, o S23 que deverá ser lançado em fevereiro.

— Isso tudo acontece no próprio aparelho e em tempo real. A inteligência artificial aplica um tratamento customizado para cada uma das oito camadas que são criadas na imagem pelo celular.

Judd Heape, vice-presidente de Produtos da Qualcomm, explicou ainda que os processadores de sinal de imagem (ISP, na sigla em inglês) identificam qual é a camada da foto ou do vídeo e ajusta para as cores ideais:

Esse conjunto de novas soluções vai se juntar a diversas outras tecnologias. A Apple, por exemplo, com o lançamento do iPhone 14 Pro, trouxe termos como "Photonic engine", que une hardware e software aplicando o chamado "Deep Fusion”, um processador neural que usa inteligência artificial para identificar padrões e sugerir melhorias nas fotos durante o processamento de imagem para permitir cores mais vivas.

Na hora do selfie, a Apple, trouxe ainda modelo de foco automático em conjunto com a tecnologia "TrueDepth", de percepção de profundidade no ambiente. A nova leva de iPhones tem ainda um sensor na parte traseira do celular para acelerar a identificação de luz ideal na câmera instalada na parte frontal do smartphone.

Além da Sony, a Leica, a tradicional fabricante alemã de câmeras fotográficas, está estreitando os laços com a Xiaomi. As duas empresas trabalham em um novo smartphone que permite o encaixe de uma lente fotográfica na parte traseira do celular. Para isso, a câmera do smartphone tem tamanho de uma polegada para a acoplagem.

No ano passado, a Leica selou parceria com a Qualcomm para desenvolver soluções para modelos Android. A ideia, diz a Xiaomi, é criar uma “ferramenta profissional de criação de fotos” que oferece objetivos como “profundidade de campo autêntica” em vez dos recursos de desfoque de fundo baseados em software encontrados na maioria dos smartphones.

Com uma câmera mais potente, as empresas também têm buscado desenvolver soluções para evitar o aquecimento do smartphone nas mãos. Por isso, os novos celulares terão inteligência artificial integrada a todo o sistema de processamento pela primeira vez, permitindo respostas até três vezes mais rápidas que a geração anterior. O mesmo ocorre com o uso de energia, que ficou 60% mais eficiente em relação à geração anterior, segundo a Qualcomm.

O aquecimento do celular é uma das principais queixas de quem usa 5G, segundo pesquisa da Ericsson com 10% das reclamações, ao lado do rápido consumo de bateria (com 23%) e a velocidade instável da nova rede entre diferentes localidades (16%).

*O repórter viajou a convite da Qualcomm