'Só sai daqui morta': vítima de cárcere há 17 anos relata ameaças do marido

Mulher e filhos foram mantidos em cárcere privado por 17 anos. (Foto: Reprodução)
Mulher e filhos foram mantidos em cárcere privado por 17 anos. (Foto: Reprodução)
  • Mulher era vítima de violência física e psicológica

  • Família também era mantida sem comer

  • Polícia libertou mulher e filhos de cárcere nesta quinta-feira

Em depoimento à polícia, a mulher mantida em cárcere privado pelo companheiro por 17 anos, junto com os filhos, detalhou as ameaças que sofria constantemente. Luiz Antonio Santos Silva foi preso pelo crime na quinta-feira (28).

À Polícia Civil, ela disse que tentou se separar do marido, com quem estava há 23 anos, diversas vezes. "Você tem que ficar comigo até o fim, se você for embora só sai daqui morta", ouvia em resposta.

Ela e seus filhos, de 19 e 22 anos, ficavam acorrentados e amarrados. Os jovens nunca foram à escola, por proibição do homem. A situação era de conhecimento dos vizinhos.

“As crianças ficavam presas, amarradas. Na quarta-feira, eu trouxe pão, mas a mulher contou que o Luiz viu e jogou fora, contou que ele queria bater nela, que achou ruim, e que eles não comeram nada”, relatou Sebastião Gomes da Silva ao portal G1.

No dia da libertação da família, ele pode testemunhar a fome deles, que muitas vezes ficam três dias sem comer. “A menina pegou hoje aqui, a bichinha pegou a banana e comeu com casca e tudo. Ela estava com muita fome”, disse.

A polícia foi acionada pela própria comunidade.

“Quem ajudava muito era o seu Tião que tinha mais acesso. Ele ajudava e a gente ficava sabendo. Tentaram chamar o Conselho Tutelar, mas ninguém tinha acesso para entrar. Até que conseguiram chamar a polícia e conseguiram resolver”, disse Marizete Dias, outra vizinha.

Ainda segundo as testemunhas, o homem, conhecido como DJ, muitas vezes tocava música alta para abafar os gritos da família.

“A gente passava muitas vezes aqui e o som alto. Ele tinha uma aparelhagem de som muito grande aí dentro. Parece que para abafar a situação que estava acontecendo aí. Eu sabia que tinha duas crianças aí, mas eu nunca vi. Fui ver hoje que o Samu”, afirma o motorista Álvaro dos Santos.

“Ele é um cara forte, fala grosso. Simplesmente ficava aí dentro, ligava o som alto para abafar a situação. Foi denunciado várias vezes. Hoje chegou ao final”, completou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos