Sob aplausos, cortejo com corpo de petista assassinado percorre ruas de Foz do Iguaçu

FOZ DO IGUAÇU, PR (FOLHAPRESS) - O corpo do guarda civil e militante petista Marcelo Aloizio de Arruda, 50, foi velado e enterrado nesta segunda-feira (11) em Foz do Iguaçu (PR). No sábado (9), ele foi morto a tiros no sábado (9) por um policial penal bolsonarista que invadiu a sua festa de aniversário.

No início da tarde desta segunda, sob aplausos, o corpo deixou o ginásio em que foi velado. O caixão estava enrolado em uma bandeira do PT e outra da Guarda Civil Metropolitana de Foz de Iguaçu.

O corpo foi levado em cortejo pelas ruas da cidade e passou em frente à sede da guarda local. O enterro ocorreu por volta das 15h30 no Cemitério Municipal Jardim São Paulo, na cidade paranaense.

Marcelo era tesoureiro do PT, partido ao qual era filiado há mais de dez anos e pelo qual concorreu a vereador e a vice-prefeito pela sigla em eleições municipais recentes.

Marcelo deixa a esposa Pâmela, um bebê de 40 dias, uma menina de 6 anos e dois filhos mais velhos de um primeiro casamento.

Durante as despedidas de Marcelo, ele foi chamado de herói. Amigos e familiares relataram que nos momentos finais ele conseguiu salvar os presentes na festa.

"Lembrem que ele será sempre um herói. Um herói que não usou capa, não voa, não solta raio pelo olho. Mas é um herói que salva vidas. E que a gente possa ter essa história como ensinamento, e vamos acabar com essa história de ódio", disse o filho dele, Leonardo de Arruda, 26.

Ele foi enterrado com uma toalha com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Roseli Scheifer, amiga de Marcelo na Guarda Municipal por quase 30 anos, descreveu o militante como alguém sempre de bom humor. "Se teve um cara que mediante as piores situações, ele tentava ver a parte boa, foi o Marcelo. Ele nos deixa uma história de amor pelo próximo", disse.

Marcelo foi velado em um ginásio esportivo na cidade, com a presença de familiares, colegas de trabalho e militantes políticos. Além dos parentes, diversos colegas do PT de Foz do Iguaçu, do qual Marcelo era tesoureiro, e da Guarda Municipal compareceram ao local.

Entre os familiares, apesar do clima de comoção, a reportagem ouviu relatos de que há um sentimento de vontade de levar adiante os ideais de Marcelo.

Marcelo nasceu na favela, foi engraxate e, segundo familiares, o engajamento em questões sociais veio dessa história. Atualmente, Marcelo era diretor da executiva do Sindicato dos Servidores Municipais de Foz do Iguaçu (Sismufi).

Na política partidária, Arruda era tesoureiro do PT. No partido havia mais de dez anos, ele concorreu a vereador e a vice-prefeito pela sigla em eleições municipais recentes. Ele entrou para a Guarda no primeiro concurso da corporação.

De esquerda, soube conviver com as diferenças em um ambiente e tinha amigos das mais variadas ideologias. Como ex-militar e guarda, convivia e se dava bem com muitas pessoas mais à direita, incluindo bolsonaristas.

Segundo amigos e familiares, o guarda jamais teria iniciado uma briga como fez o bolsonarista que invadiu sua festa e o matou – Jorge José da Rocha Guaranho foi baleado e segue internado.

O PT divulgou nota lamentando a morte e afirmando que ela se deu por crime de ódio por um bolsonarista. A presidente nacional do partido, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), compareceu ao velório neste domingo.

Antes, ela já havia divulgado nota e fotografias do militante em sua festa de aniversário em seu perfil no Twitter. Marcelo aparece posando ao lado de decorações temáticas em homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao partido.

O assassino é Jorge José da Rocha Guaranho, policial penal federal bolsonarista. A Polícia Civil do Paraná a princípio disse que Guaranho também tinha morrido, mas a informação depois foi corrigida. Ele permanece internado.

Segundo os relatos à polícia, Guaranho passou de carro em frente ao salão de festas dizendo "Aqui é Bolsonaro" e "Lula ladrão", além de proferir xingamentos. Ele saiu após uma rápida discussão e disse que retornaria.

De acordo com as testemunhas, Arruda então foi ao seu carro e pegou uma arma para se defender.

Guaranho de fato retornou, invadiu o salão de festas e atirou em Arruda. O petista, já ferido no chão, também baleou o bolsonarista. Uma câmera de segurança registrou o crime.

O Ministério Público afirmou que apura a motivação do caso. Segundo a Promotoria, as pessoas que estavam na festa ainda serão ouvidas, haverá perícias e até uma possível reconstituição.

"É coisa que a gente parece que vê só no noticiário americano. O cara invadiu uma escola, armado e quis matar todo mundo", disse o sobrinho de Marcelo, Thiago de Arruda, 32, durante o velório.

O guarda municipal Marcelo de Arruda, 50, nasceu na favela e começou a trabalhar como engraxate. O interesse político e pelas questões sociais nasceram daí.

Desde cedo, porém, soube conviver com as diferenças e tinha amigos das mais variadas ideologias. Como ex-militar e guarda, convivia e se dava bem com muitas pessoas mais à direita, incluindo bolsonaristas.

Segundo amigos e familiares, o guarda jamais teria iniciado uma briga como fez o bolsonarista que invadiu sua festa e o matou –o homem foi baleado e segue internado.

"Eu conheço o Marcelo há muito tempo e ele nunca perguntou em quem eu votava", diz Francisco Vedur, 65, agente patrimonial na cidade e colega de trabalho de Marcelo.

De acordo com colegas, na festa que terminou na morte do militante, uma das brincadeiras que estava acontecendo era piadas sobre fotografar amigos bolsonaristas de Marcelo próximo de símbolos do PT. Quando o policial penal Jorge Guaranho chegou, inicialmente, as pessoas da festa acharam que era mais um convidado.

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