Sob chuva, Rio volta a receber turistas de cruzeiros

A maior temporada de cruzeiros no Rio dos últimos dez anos começou esta semana surpreendendo os passageiros que desembarcam no porto com tempo encoberto e chuva. Mas a falta do sol até agora não chega a desanimar os visitantes, e muito menos o setor de turismo. Até 17 de abril, passarão pela cidade 37 embarcações gigantes, sendo 26 navios internacionais e dez que irão aportar por aqui pela primeira vez. O movimento nos últimos dias — a temporada teve início na segunda-feira — já movimenta a economia da cidade.

Vendedora de passeios pelo Rio, Ester Costa comemora:

— Para algumas pessoas que chegam pelos cruzeiros, essa é a única oportunidade de aproveitar o Rio. Então, com chuva ou sem chuva, o pessoal vai passear — dizia, anteontem, a vendedora, que oferece tours entre R$ 100 e R$ 250. — Já embarcamos umas seis vans hoje (terça-feira), cada uma com umas 15 pessoas. Isso sem falar em quem pediu transporte privado para ir ao shopping ou à praia.

A retomada desse segmento, um dos mais afetados pela pandemia, deve gera um impacto financeiro de mais de R$ 1 bilhão no estado. Além do porto do Rio, os turistas descem em cidades como Angra, Ilha Grande, Paraty, Cabo Frio e Búzios, além o do Rio.

— Essa deve ser a melhor temporada dos últimos dez anos, com cerca de 500 mil pessoas passando só pelo terminal do Rio — comemora Marcello Chagas, coordenador de operações da Pier Mauá. — Para se ter uma ideia, contratamos mais de 200 pessoas em função dos navios de cruzeiro. Isso tem impacto direto na economia local.

Feijoada e ida ao museu

Com o tempo fechado no Rio, o motorista de aplicativo Gabriel Emanoel, que viajava há 22 dias no MSC Fantasia, trocou os passeios por uma feijoada. Ele, que é de São Paulo, embarcou na Itália e tirou sua escala na cidade para ficar perto da família:

— Conheço bem o Rio, então vou aproveitar para passar o tempo com parentes aqui pelo Centro.

Também de São Paulo e de passagem pelo Rio, a professora aposentada Margareth Bernardo já fez nada menos do que 47 cruzeiros. Até o fim do ano, serão 48, com um de réveillon, que partirá de Miami e visitará o Caribe. Além do turismo em si, uma das vantagens deste tipo de viagem é fazer novas amizades.

— Olha aqui a Maria Luiza. Nos conhecemos na mesa de jantar e somos melhores amigas há 20 dias — brinca, posando para foto com a amiga no MSC Fantasia.

Em seu quinto cruzeiro, a pedagoga Maria Luiza Varquio foi de avião de São Paulo até Atenas para voltar por alto-mar. De lá para cá, foram 12 paradas em 27 dias, com passagens pela França e pela Itália:

— Não há nada que concorra com os navios. Temos conforto, entretenimento e excelente custo-benefício.

E diversão é o que não falta nesses gigantes: piscinas, bares, atrações musicais, festas, salão de jogos, quadras de esporte.... E tudo ao mesmo tempo.

Antes da parada final, que será em Santos, Maria Luiza aproveitou sua passadinha no Rio na terça:

— Visitamos o Museu do Amanhã, e agora vamos voltar para aproveitar o navio, tomando uns drinques e pegando uma jacuzzi — disse ela, sem se incomodar com a chuva. — Só achei o porto um pouco triste, meio cinza, sem as lojinhas, as fantasias de carnaval...

Esse vazio sentido Maria Luiza tem uma explicação e prazo para terminar: dia 26 de novembro. Até lá, os armazéns 3 e 4, onde desembarcam os turistas, estão abrigando a segunda edição do evento de tecnologia, Rio Innovations Week. Depois, o espaço será dedicado aos visitantes.

Nesta temporada, o aumento na oferta de leitos será de 47% — em comparação com 2019/2020 —, chegando a 780 mil vagas, de acordo com a Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros (CLIA Brasil). Além de um investimento médio de R$ 4.523,84 por viagens de 4,8 dias, os turistas gastam cerca de R$ 605,90 nos pontos de escala e R$ 770,97 nas cidades de embarque e desembarque. Para a temporada, estão previstas 84 escalas nacionais e 35 internacionais, com cerca de 1.023.182 passageiros e 317.635 tripulantes. O recorde anterior foi na temporada de 2010/2011, quando a cidade recebeu 641.121 visitantes.

— Além do número maior de leitos, os navios maiores estão ficando por mais tempo nos destinos — diz o presidente da CLIA, Marco Ferraz. — E é o Rio se transformando num porto de embarque, porque não é só o carioca que embarca aqui, é o mineiro, o capixaba, o pessoal do Centro-Oeste. É fantástico para a cidade receber turista antes e depois do cruzeiro.

Entre os destaques deste ano, estão embarcações inéditas de grandes operadoras. Com 2.100 cabines, o Costa Firenze é o maior navio até hoje a vir para a América Latina, e passará por aqui mês que vem e em abril de 2023. Já o MSC Seashore tem capacidade para 5.877 passageiros e 339 metros. A embarcação terá duas passagens pela Praça Mauá, em 9 de dezembro e em 27 de março.