Sob Elizabeth, mudança na linha sucessória ampliou direito de mulheres ao trono

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma alteração nas regras de sucessão do trono britânico promovida mais de uma década atrás voltou à tona com a morte da rainha Elizabeth 2ª na quinta (8). Em 2011, os membros da Commonwealth, que reúne as ex-colônias inglesas, decidiram que herdeiros homens não têm procedência sobre suas irmãs no direito ao poder.

A reforma mudou uma lei de 300 anos que ditava que a única forma de uma mulher ascender ao trono era se o monarca anterior não tivesse nenhum filho homem. Foi o caso da própria Elizabeth, que não tinha nenhum irmão --só uma irmã caçula, Margareth.

Naquela mesma ocasião, também foi extinta uma regra que impedia um potencial monarca de casar com um católico, embora não tenha alterado o fato de que o soberano britânico se torna também líder da Igreja Anglicana ao assumir.

As mudanças foram anunciadas em Perth, na Austrália, em um encontro dos líderes de governos da Commonwealth. Segundo reportagem do Washington Post da época, qualquer um dos mais de 50 líderes poderia ter vetado as mudanças, mas elas foram aprovadas de forma unânime. Coube a cada um dos países participantes mudar a Constituição em seu país nesse sentido.

A reforma não é retroativa. A princesa Anne, por exemplo, continua numa posição muito inferior (16º) a de seus irmãos Andrew (8º) e Edward (13º) na linha de sucessão ao trono, embora seja mais velha do que os dois.

Ela afetou sobretudo as bisnetas da rainha Elizabeth. Foi o caso da princesa Charlotte, filha do meio de William e Kate. Ela se tornou a terceira candidata ao trono, à frente de seu irmão caçula, Louis, o quarto.

Mesmo assim, a chance o Reino Unido ter uma rainha Charlotte é mínima. Afinal, a cada filho que George, seu irmão mais velho, tiver, mais ela é empurrada para o final da cadeia sucessória.

Sem a precedência masculina ao trono, a história do Reino Unido poderia ter sido diferente. O rei Henrique 8º, cujo reinado marcou o início da Igreja Anglicana, e o rei Carlos 1º, que levou a nação a uma sangrenta guerra civil no século 17, provavelmente não teriam assumido o poder, já que ambos tinham irmãs mais velhas.

A era moderna da monarquia britânica também teria seguido outro caminho. A primogênita da rainha Vitória, nascida em 1840, se casou com o imperador alemão Frederico 3º. Caso ela tivesse se tornado rainha, a coroa teria passado para seu filho, o kaiser alemão Guilherme 2º.

Com Alemanha e o Reino Unido governados pelo mesmo rei, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial poderiam nunca ter acontecido.