Sob gritos de caloteiro, Doria diz que plano de metas é 'menor' e 'melhor'

ARTUR RODRIGUES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sob gritos de "caloteiro" na Câmara Municipal, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), apresentou nesta quinta-feira (30) um plano de metas que definiu como de "menor quantidade" e "maior qualidade".

Ele foi até a Câmara entregar o plano, no último dia do prazo definido por lei municipal.

No plenário da Casa, professores municipais que protestavam contra a criação de um plano de previdência para a categoria vaiaram e xingaram Doria. Uma dívida de IPTU de R$ 91 mil do prefeito, que era questionada judicialmente, virou motivo para as críticas.

Doria fez um discurso curto, de quatro minutos, citando as audiências que serão realizadas e explicando o novo formato do plano. A proposta tem 50 metas, contra 123 da gestão anterior de Fernando Haddad (PT).

"O programa de metas não precisa necessariamente ser grande, precisa ser eficiente", disse.

Ele citou exemplos de cidades com planos com poucas metas. "Identificamos algumas cidades do mundo onde as metas são cumpridas. Vancouver tem 48 metas, Melbourne tem 41 metas", disse.

O tucano saiu da Câmara sem falar com a imprensa.

O secretário municipal de Gestão, Paulo Uebel, afirmou que as metas são "de alto impacto" e "que transformam a sociedade".

Além de menor, o plano de Doria tem metas mais difíceis de se fiscalizar, por não dar dados numéricos. Por exemplo, enquanto o plano da última gestão previa a construção 43 UBSs (unidades básicas de saúde), Doria elegeu como meta aumentar a cobertura da atenção primária à saúde para 70% da cidade.

Uebel afirma que a sociedade poderá acompanhar o plano por meio dos 69 projetos e mais de 450 linhas de ação. "Em cada uma das linhas de ação, você tem ações específicas que vão ser realizadas, que podem ser monitoradas".

A prefeitura afirmou que fornecerá os dados à imprensa por e-mail. Até às 16h20 o documento ainda não havia sido enviado.

O secretariado de Doria não soube informar o custo do plano de metas. Antecessor de Doria, Haddad estimou seu plano em R$ 24 bilhões, mas viu várias das suas metas paradas devido à falta de repasses federais.