Sob nova gestão, Polo Rio Cine Vídeo terá mais estúdios, cursos e espaço para produção virtual

Criado pela prefeitura em 1988, o Polo Rio Cine Vídeo, um dos mais importantes centros de produção cinematográfica do Rio, tem uma estrutura defasada para os padrões atuais do audiovisual. O complexo de estúdios, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, porém, está prestes a ser revitalizado. A empresa Quanta DGT, que tem um conjunto de estúdios de ponta em São Paulo, ganhou a licitação para gerir o local pelos próximos 30 anos. Assinado este mês pelo prefeito Eduardo Paes, o contrato de concessão exige que a companhia invista, no mínimo, R$ 92 milhões na modernização do equipamento, que tem 60 mil metros quadrados e oito estúdios.

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A Quanta promete construir mais oito estúdios de alto padrão, dobrando a capacidade do polo. Presidente da empresa, Frederic Breyton garante que um deles, com 1.200 metros quadrados, estará pronto até o fim do ano. Alguns, menores, poderão servir a produções de novos criadores. No mês que vem, começarão as intervenções emergenciais nos estúdios já existentes. A previsão é concluir todas as obras em dezembro de 2024.

— Neste momento, estamos fazendo a transição da gestão antiga, que era da Riocom, para a nossa, realizando um levantamento detalhado da situação. Sabemos da necessidade de reformar banheiros, camarins, salas de apoio, instalações elétricas e melhorar a infraestrutura de internet, o que começará a ser feito em agosto — afirma Breyton. — Em termos de aparência, o polo é uma edificação sem um padrão; cada espaço tem uma cara. E o que importa, fundamentalmente, para o desempenho como estúdio, como um bom isolamento acústico, sobretudo ali, que é próximo ao Aeroporto de Jacarepaguá, pisos bem acabados e boa estrutura de iluminação, está em condições precárias.

Atualmente, o complexo dispõe de 5.200 metros quadrados com estúdios, distribuídos em dois blocos. A proposta da empresa é construir mais dois blocos para os novos, que vão ocupar 4.800 metros quadrados. Para não atrapalhar as produções em andamento no local, cuja lista de clientes inclui Globo, Netflix e Amazon Studios, as instalações antigas só serão interditadas para reestruturação conforme as novas forem sendo concluídas.

— No primeiro semestre do ano que vem, mais um ou dois estúdios estarão prontos. Terão um nível de isolamento acústico maior, sistema de ar-condicionado de baixo ruído, piso nivelado de alta qualidade, que terá resistência aos equipamentos maiores e mais pesados de hoje em dia; e um sistema de grids móveis, que são módulos de alumínio para pendurar equipamentos de iluminação, por exemplo, o que acelera os processos e permite a adequação de cenários — diz Breyton.— Assim, os estúdios vão comportar, mas não de forma improvisada, como é hoje, os mais variados tipos de produções, como filmes, novelas, séries, peças publicitárias e gravação de videoclipes. A ideia é que os espaços sejam bem flexíveis.

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O complexo deve ganhar ainda lojas de locação de câmeras e de equipamentos de iluminação e de movimentação e itens utilizados nos processos de produção, área de armazenagem para materiais de cenário, escritórios para as fases de pré-produção, restaurantes e cafés.

— Teremos os equipamentos mais modernos em termos de tecnologia no mundo, incluindo câmeras com qualidade avançada. Ao alugar o espaço, uma empresa poderá escolher que outros serviços quer agregar — promete Breyton. — Nossa visão é que a demanda por espaços qualificados, com ferramentas desde a pré-produção até a etapa final, tem aumentado bastante. Por isso, vamos ter também serviço completo de pós-produção, que vai desde o laboratório digital, onde se faz a manipulação da filmagem logo depois da gravação até a correção de cor e masterização do produto final, passando pela parte de efeitos.

Substituto do chroma key

Um destaque no banho de modernidade que a nova concessionária promete dar ao polo será um estúdio dedicado a produções virtuais, no qual um painel de LED de grandes dimensões poderá simular diferentes tipos de cenários e facilitar as filmagens. É um recurso que vem substituindo o chroma key (fundo verde), explica o presidente da Quanta:

— É uma tecnologia que vem evoluindo muito rapidamente e recebendo muita atenção das produtoras. Nós desenvolvemos, em São Paulo, softwares específicos para a produção virtual. Essa tecnologia possibilita o uso de efeitos simultaneamente à gravação e tem muito mais significado que o chroma key, que tem uma série de limitações que não conseguimos resolver na pós-produção. No estúdio virtual, além de ser possível ver como a cena vai ficar, o trabalho do ator fica mais fácil, porque ele interage de fato com o cenário, em vez de contracenar com um fundo verde. Essa é uma demanda do Rio de Janeiro, que ainda não tem esse tipo de estúdio.

A Quanta surgiu como locadora de equipamentos no Rio, em 1977. Depois, abriu filial em São Paulo, e, há 15 anos, tem um complexo de estúdios naquele estado:

— É um projeto antigo da Quanta ter estúdio no Rio, mas não é fácil encontrar na cidade um lugar com uma boa infraestrutura de transporte, por exemplo, e essa é uma questão importante, porque o setor movimenta bastante gente. Quando soubemos da intenção da prefeitura de licitar o polo, entendemos que era uma opção interessante gerir um espaço já existente em vez de começar um projeto do zero.

A empresa pretende ainda tornar o polo um centro de formação, remoto e presencial, na área do audiovisual. A grade de cursos está sendo definida. Diretor-presidente da RioFilme, órgão da prefeitura responsável por fomentar o setor, Eduardo Figueira classifica a iniciativa como imprescindível, já que, avalia, falta mão de obra qualificada no Rio.

— Para alavancar o segmento, toda cidade tem que ter um centro de estúdios bem organizado e com equipamentos de qualidade, e o Rio estava carente disso. O polo é fundamental para o setor no Rio; daí a importância de inovar e ampliar o número de estúdios — afirma.

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