Sob novo comando, Twitter demora a agir contra conteúdo enganoso em eleições nos EUA

Por Katie Paul e Sheila Dang

(Reuters) - Especialistas relataram a disseminação de conteúdo enganoso no Twitter e outros serviços de mídia social na terça-feira, quando os norte-americanos votaram nas eleições de meio de mandato, quatro dias após o Twitter demitir metade de sua equipe.

O grupo de vigilância apartidário Common Cause disse que o Twitter não tomou nenhuma ação em postagens de perfis que a organização sinalizou como problemáticas na terça-feira.

As eleições para o Congresso dos Estados Unidos representaram um novo teste para as empresas de mídia social, que há anos lutam para balancear a liberdade de expressão e comentários potencialmente prejudiciais. Embora as políticas do Twitter permitam restrição de desinformação, a aplicação tem sido irregular, e a recente reviravolta em seu comando colocou a companhia sob os holofotes.

No final de semana, Elon Musk, novo dono da rede social, tuitou uma recomendação de votos em candidatos republicanos.

Vozes da direita norte-americana foram às mídias sociais na terça-feira culpar falsamente os democratas por falhas de votação relatadas em alguns lugares.

A Common Cause disse que postagens no Twitter dos candidatos republicanos Marjorie Taylor Greene e Kari Lake deveriam ter recebido rótulos de advertência sob a política de integridade cívica da rede social, que rege tuítes enganosos sobre eleições. As postagens de Greene e Lake atraíram dezenas de milhares de curtidas e retuítes.

O grupo também observou uma "grande desaceleração" no tempo de resposta da rede social desde sexta-feira, quando as demissões acabaram com muitas das equipes da empresa responsáveis ​​por destacar informações confiáveis.

O Twitter "não responde além de dizer que eles está investigando algo, e depois some por dias", disse o grupo, observando que o tempo de resposta da empresa normalmente era de uma a três horas.

A rede social, que perdeu muitos membros de sua equipe de comunicação nas demissões, não respondeu aos pedidos de comentários.

Antes de terça-feira, tanto Musk quanto o chefe de segurança e integridade do Twitter, Yoel Roth, escreveram que a empresa defenderia e aplicaria suas políticas de integridade eleitoral durante o pleito.

A discussão no Twitter na terça-feira se concentrou em problemas reais de votação em Estados com corridas monitoradas de perto, como Arizona, Geórgia, Michigan e Pensilvânia, de acordo com grupos de pesquisa que estudam informações eleitorais online.

A atividade aumentou depois que comentaristas populares no Twitter atribuíram os problemas- sem fornecer evidências - a supostas tentativas dos democratas de não deixarem eleitores republicanos votarem, de acordo com a Election Integrity Partnership, uma coalizão de empresas de pesquisa.

Autoridades eleitorais no condado de Maricopa, no Arizona, disseram que os problemas enfrentados na terça-feira não afetariam a contagem de votos, enquanto autoridades do condado de Luzerne, na Pensilvânia, estenderam o horário de votação como compensação.

(Reportagem adicional de Paresh Dave e Martin Coulter)