Sob o comando de Crespo, São Paulo recupera argentinidade do passado

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SÃO PAULO, SP, 23.05.2021 – SÃO PAULO-PALMEIRAS: Técnico Hernán Crespo, do São Paulo, comemora com membros da comissão técnica - Partida entre São Paulo e Palmeiras, válida pela 2ª partida da final do Campeonato Paulista 2021, realizada no estádio do Morumbi, na capital paulista, na tarde deste domingo (23). (Foto: Bruno Escolástico/Photo Press/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 23.05.2021 – SÃO PAULO-PALMEIRAS: Técnico Hernán Crespo, do São Paulo, comemora com membros da comissão técnica - Partida entre São Paulo e Palmeiras, válida pela 2ª partida da final do Campeonato Paulista 2021, realizada no estádio do Morumbi, na capital paulista, na tarde deste domingo (23). (Foto: Bruno Escolástico/Photo Press/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O são-paulino mais jovem sabe que o clube tem um laço especial com o Uruguai. Mesmo que não os tenha visto jogar, recita de memória o quarteto Pablo Forlán, Pedro Rocha, Darío Pereyra e Diego Lugano. Ídolos que pintaram de celeste uma parte importante da história tricolor.

Em um passado já distante, porém, eram os argentinos os estrangeiros de maior sucesso. Sastre, Renganeschi, Albella, Jim Lopes, José Poy. Figuras que ajudaram na consolidação do São Paulo como um grande do estado no período glorioso das décadas de 1940 e 1950.

Sob o comando de Hernán Crespo, responsável por levar a equipe ao título do Campeonato Paulista, conquistado neste domingo (23) diante do Palmeiras, o clube recupera parte dessa argentinidade que havia muito tempo estava silenciada.

Em apenas três meses de trabalho, o treinador levou o São Paulo a uma conquista, algo que não era celebrado desde 2012. Com a taça, Crespo repete o feito seu compatriota Poy, campeão estadual como técnico em 1975, que havia sido o último estrangeiro a comandar uma equipe vencedora no Paulista.

Dentro das quatro linhas, e com o acompanhamento de Alejandro Kohan, auxiliar de Crespo com quem trabalhou no Independiente (ARG), o meio-campista Martín Benítez teve bons momentos na campanha, especialmente os jogos da fase decisiva do Estadual contra Ferroviária e Mirassol.

Apesar de ele ter perdido o segundo jogo da decisão por lesão, fazia muito tempo que o clube não tinha um jogador argentino que pudesse ser chamado de destaque. E não foram poucas as apostas fracassadas no século 21.

Chegaram ao Morumbi nos últimos 20 anos nomes como Horacio Ameli, Adrián González, Marcelo Cañete, Clemente Rodríguez, Ricardo Centurión, Andrés Chávez, Julio Buffarini e Jonatan Gómez.

A passagem de Lucas Pratto, ainda que discreta, não foi um fracasso. Edgardo Bauza e Jonathan Calleri também estiveram longe de ser uma decepção, especialmente o atacante, autor de 16 gols em um semestre.

Bauza e Calleri foram semifinalistas da Copa Libertadores de 2016, mas não completaram nem uma temporada de clube e foram embora sem títulos. Histórias insuficientes para incluí-los na prateleira dos grandes argentinos da história tricolor.

Quando Antonio Sastre chegou ao país, em 1943, o São Paulo tinha apenas um título paulista. Ídolo do Independiente, foi contratado sob desconfiança por conta da idade (prestes a completar 32 anos).

Em 1946, três anos após ter sido chamado de "desastre", despediu-se do torcedor são-paulino com uma trinca de taças do Campeonato Paulista.

Antes mesmo de o futebol exigir funções diversas de seus atletas, Sastre já atuava em mais de uma posição. Tornou-se um excelente companheiro de ataque para Leônidas da Silva e deixou o Brasil admirado pela crônica esportiva.

No último título de Sastre pelo São Paulo, o Paulista de 1946, outro argentino se transformou em herói. O zagueiro Renganeschi, lesionado, foi deslocado para a ponta, já que se arrastava em campo e não havia substituições na época. Ainda assim, fez o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras no jogo decisivo.

Entre 1949 e 1962, José Poy se ocupou de defender o arco tricolor. O goleiro argentino, tricampeão estadual (1948, 1953 e 1957), é até hoje o terceiro arqueiro com mais jogos pelo clube, 524 -só perde para Waldir Peres e Rogério Ceni.

A conquista de 1953 é certamente o título que teve maior influência do Rio da Prata.

Além de Poy, três de seus compatriotas atuavam pela equipe: Negri, Moreno e Albella. Este veio como contrapeso da contratação de Moreno, mas teve passagem de maior destaque e encantou torcedores e cronistas. Em 80 jogos com a camisa tricolor, marcou 46 gols.

Não bastassem os argentinos do elenco, Alejandro Galán, conhecido no Brasil como Jim Lopes, era o técnico.

A partida que consagrou o São Paulo como campeão foi disputada em 24 de janeiro de 1954, contra o Santos, na Vila Belmiro. Vitória por 3 a 1, gols de Maurinho, Albella e Negri.

Após sua despedida como jogador, José Poy permaneceu no país e escolheu o Morumbi como lar. Ajudou a vender cadeiras cativas para angariar fundos destinados à construção do estádio. Entre 1964 e 1983, teve sete passagens como técnico, com um total de 422 jogos à frente da equipe.

Seu único título como treinador foi o Campeonato Paulista de 1975. Era, até domingo, a última conquista de um treinador estrangeiro na competição, e também o início de um período pouco positivo para os argentinos no clube. Até a chegada de Hernán Crespo e Martín Benítez, cujo sucesso evoca a memória de tempos gloriosos nos quais, antes de ser uruguaio, o São Paulo era um clube com alma argentina.

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