Sob Tarcísio, PM volta a atuar na cracolândia e dispersa usuários que pintaram faixa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação da Polícia Militar dispersou usuários de drogas que estavam na rua Vitória, no centro de São Paulo, com bombas de gás lacrimogêneo.

A ação na tarde desta quarta (11) ocorre após a Folha de S.Paulo mostrar que usuários haviam pintado uma faixa na rua para demarcar o espaço ocupado por eles na cracolândia.

Durante a ação, o grupo de dependentes químicos e moradores de rua que estava entre as vias Conselheiro Nébias e Guaianases seguiu em direção à alameda Barão de Limeira, enquanto outros foram pela Conselheiro Nébias.

No entanto, cerca de 30 minutos após a dispersão, os dependentes químicos retornaram para o ponto na rua Vitória.

No momento da ação, os policiais percorreram as ruas dos Gusmões, Vitória, Conselheiro Nébias, Timbiras e avenida Rio Branco.

À reportagem o capitão Casagrande, da Força Tática do 7º Batalhão, afirmou que sua tropa agiu após policiais militares que haviam ido até o local dar apoio à equipes que removeriam a pintura terem sido recebidos a pedradas.

O oficial relatou que a Força Tática e equipes de reportagem também foram atacadas ao chegar ao local, por isso houve necessidade do uso de bombas de efeito moral.

A operação policial é primeira desde a mudança de gestão do Governo de São Paulo. No último sábado (7), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) trocou o delegado responsável pelas operações na cracolândia, que vinham sendo realizadas pela Polícia Civil e a GCM (Guarda Civil Metropolitana).

Roberto Monteiro, idealizador da Operação Caronte, realizada desde junho de 2021, foi substituído por Jair Barbosa Ortiz, que era diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Como a Folha de S.Paulo mostrou, Tarcísio e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) planejam intensificar as internações de dependentes químicos. A iniciativa faz parte de um projeto conjunto entre município e estado para recuperar o centro da cidade, a ser lançado no próximo dia 23. Integrantes das áreas técnicas vão se reunir nas próximas semanas.

A rua Vitória abrigava um bom número de frequentadores da cracolândia desde que o fluxo, como é chamada a aglomeração de usuários, ficou mais disperso.

Moradores e comerciantes da rua se dizem sitiados com o número de traficantes e usuários de drogas que ocupam o local. Conforme os relatos, há momentos do dia em que a via fica totalmente interditada. Serviços como a entrega de alimentos e o uso de carros de aplicativos estão sendo afetados, segundo um aposentado de 63 anos, que pediu para não ser identificado por temer represálias.

Na noite desta quarta-feira era possível encontrar grupos de dependentes químicos na rua dos Andradas, no cruzamento das ruas dos Gusmões e do Triunfo, na avenida Duque de Caxias e na alameda Dino Bueno.

Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em dezembro mostrou que os registros de roubo em parte da região central de São Paulo dispararam em 2022 e atingiram um recorde, superando inclusive os números de 2019, pré-pandemia de Covid.