Número de mortos por chuvas em Minas Gerais passa de 40

Socorristas buscam desaparecidos após deslizamento em Belo Horizonte

O número de mortos nos deslizamentos de terra e desabamentos causados pelas chuvas que assolam Minas Gerais há dias subiu de 37, nesta tarde, para 44, em uma nova tragédia que deixou milhares de desabrigados.

De acordo com o último balanço divulgado pela Defesa Civil, o número de desaparecidos diminuiu de 25 para 19, enquanto o de feridos se manteve em 12.

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Cerca 17.000 pessoas estão desalojadas ou desabrigadas pelas chuvas. Noventa e nove dos mais de 800 municípios do estado foram declarados em estado de emergência, entre eles, a capital Belo Horizonte, onde morreram 14 pessoas.

As chuvas também atingem Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde nove pessoas morreram há uma semana.

As imagens dão uma ideia da magnitude da catástrofe: deslizamentos de terra, casas desabadas, árvores e postes de eletricidade caídos, rios transbordando e bairros inundados em vários municípios.

O último boletim não detalha a identidade dos falecidos, nem as condições em que morreram.

Mas a grande maioria das vítimas morreu soterrada em deslizamentos de terra ou no desabamento de casas.

Da Índia, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo está "fazendo o possível", apesar de a área atingida ser "muito grande". "É difícil você atender a todos", lamentou.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sobrevoaram a área afetada e, em entrevista coletiva, prometeram enviar ajuda humanitária aos despejados, além de anunciar uma ajuda imediata de 90 milhões de reais.

"O Brasil precisa de um reordenamento urbano. Precisamos de políticas públicas consistentes, de longo prazo, que gradativamente venham a diminuir as zonas de risco (...). Caso contrário, veremos isso ocorrer muitas vezes", afirmou Zema.

- Tragédia não anunciada -

Um dos últimos corpos encontrados sob os escombros foi o de uma mulher em Vila Bernadete, bairro da periferia de Belo Horizonte, onde seis pessoas morreram após um deslizamento de terra que atingiu sete casas na encosta.

No local, os bombeiros, que retomaram o resgate esta manhã, continuam procurando uma pessoa desaparecida em meio à lama e detritos, constatou um fotógrafo da AFP.

O motorista de aplicativo Audemar Carneiro, de 51 anos, é vizinho das casas que cederam e amigo dos falecidos.

"Aqui nunca tinha acontecido, era um lugar bastante seguro. Choveu bastante, foi muita chuva. Foi uma tragédia não anunciada", explicou. Carneiro também está desabrigado e, há duas noites, dorme na casa de um amigo.

As chuvas deram uma pequena trégua neste domingo, mas as autoridades estenderam até sexta-feira o alerta para o risco de novos deslizamentos de terra em vários municípios da região metropolitana de Belo Horizonte.

A região está sendo castigada pelas piores chuvas desde que se tem registro. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que entre 9h00 de quinta-feira e 9h00 da sexta-feira Belo Horizonte acumulou 171,8 milímetros de chuva, o maior recorde em 110 anos de medição.

Várias estradas são cortadas e dezenas de pontes desabaram.

As fortes chuvas também causaram inundações em sete cidades do norte e noroeste do estado do Rio de Janeiro, depois que três rios transbordarem, sem relatos de mortes ou feridos.

O Espírito Santo foi atingido há uma semana por tempestades violentas que deixaram nove mortos e vários municípios inundados.

Essa nova tragédia em Minas Gerais coincide com o primeiro aniversário, no sábado, do rompimento da barragem da Vale na cidade de Brumadinho, que deixou 270 mortos (11 deles desaparecidos) pela torrente de rejeitos que invadiu a região.

Devido às chuvas, a mineradora disse no domingo à noite que elevou para o segundo nível seu alerta de risco de rompimento - dos três possíveis - do dique Sul Inferior, do complexo minerador Gongo Soco (100 km a leste de Belo Horizonte), por "uma erosão na parte interna".

A empresa lembrou que os habitantes da área já haviam sido transferidos para áreas seguras em fevereiro, quando outra barragem nesse complexo passou para o nível três, com o risco de rompimento iminente.