Sobe para 107 o número de mortos por chuvas em Pernambuco

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Ao menos 107 pessoas morreram e 11 estão desaparecidas por causa das chuvas que atingiram Pernambuco entre quarta-feira (25) e o início da tarde desta quarta (1), informou a Defesa Civil do estado.

O total de desabrigados subiu para 6.650. Dos 11 desaparecidos, nove já foram identificados e outras duas, o "relato está impreciso e, por isso, estão em investigação".

O governo decretou situação de emergência, assim como 24 municípios. O decreto de situação de emergência permite que os municípios solicitem recursos do Sistema Nacional de Defesa Civil.

Os municípios em emergência são: Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, São José da Coroa Grande, Moreno, Nazaré da Mata, Macaparana, Cabo de Santo Agostinho, São Vicente Férrer, Paudalho, Paulista, Goiana, Timbaúba, Camaragibe, breu e Lima, Aliança, Araçoiaba, Bom Jardim, Glória do Goitá, Igarassu, Limoeiro, Passira, São Lourenço da Mata e Vicência.

Além do decreto, R$ 100 milhões foram disponibilizados para os trabalhos de busca e salvamento nas áreas atingidas, assim como para obras de infraestrutura nos municípios atingidos pela chuva.

Na capital Recife, a Prefeitura divulgou que há 3.811 pessoas alojadas em 34 abrigos emergenciais temporários. A administração também notificou 148 ocorrências desde o início das chuvas, há quase uma semana, e informou que 15 mil toneladas de resíduos sólidos já foram removidas da cidade.

A AGU (Advocacia-Geral da União) determinou, em portaria publicada na terça-feira (31), a redução de prazos para que a União possa ajudar Pernambuco e Alagoas por causa das chuvas.

Com isso, manifestações jurídicas sobre licitações vão passar a tramitar em até 72 horas ao invés de 15 dias. Já as dispensas de licitação, que duravam cerca de cinco dias para sair, serão liberadas em até 48 horas.

A Agência Pernambucana de Águas e Clima divulgou que as chuvas devem continuar até a sexta-feira (3) na região metropolitana do Recife e na Zona da Mata, embora com volume reduzido.

A intensidade das precipitações e os riscos de novos deslizamentos levaram o Corpo de Bombeiros do estado a interromper, durante alguns momentos, as buscas em áreas que foram afetadas pelas chuvas.

Em entrevista ao UOL News de ontem, a meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) Morgana Almeida afirmou que, apesar da redução da intensidade, o solo molhado ainda é um risco para as regiões atingidas.

"A situação ainda é preocupante porque o solo está bastante encharcado, há muitos pontos em que a água não retornou ao nível normal, com muitos alagamentos", disse ela.

As fortes chuvas que atingiram o Recife e cidades vizinhas foram provocadas por um sistema climático conhecido como Distúrbio Ondulatório de Leste. Ele tem como uma de suas principais características o deslocamento da massa de ar do oceano Atlântico para o continente.

Ele se movimenta em ondas. "A primeira onda vem trazendo chuvas de moderadas a fortes. O segundo movimento é caracterizado pela ausência ou reduzida precipitação. Na terceira onda, normalmente, podemos esperar chuvas ainda mais intensas", explicou o meteorologista Fabiano Prestelo, da Apac (Agência Pernambucana de Águas e Climas).

Segundo ele, a primeira onda observada no Distúrbio Ondulatório Leste deste ano foi justamente da última terça para a quarta. Neste momento, o fenômeno está começando a se dissipar.

De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima, apesar da redução no volume, as precipitações devem continuar, com intensidade moderada, até a próxima sexta-feira (3), na região metropolitana do Recife e na Zona da Mata, "diminuindo no final de semana no litoral pernambucano".

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), órgão federal ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, emitiu um boletim geo-hidrológico na última quarta-feira (25) em que alertou para o "risco alto" de chuvas intensas e de deslizamentos na região metropolitana do Recife.

Mesmo com o alerta, a prefeitura da capital pernambucana só acionou o plano de contingência na sexta-feira (27), quando a Apac (Agência Pernambucana de Águas e Clima) emitiu um outro comunicado informando a previsão de chuva intensa para o final de semana. Entre sexta e ontem, o estado contabilizava 79 pessoas mortas em consequência das chuvas e 3.957 desabrigados.

Procurada, a Prefeitura do Recife confirmou ter usado como referência os alertas da Apac.

Plano de contingência é um planejamento previsto em lei federal de 2012, determinando que os municípios tenham definidas ações de proteção e defesa civil. Elaborado a partir de uma hipótese de desastre, é nele que está a definição de procedimentos, ações e decisões em caso de eventos extremos, com preparação e resposta ao ocorrido.

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