Sobe para quatro o número de pacientes mortos por Covid à espera de UTI na cidade de SP

DHIEGO MAIA
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GONÇALVES, MG (FOLHAPRESS) - Deusira, Claudenor e Josepha são as novas vítimas do colapso do sistema de saúde que tem levado pacientes com Covid-19 a morrer na fila de espera por um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na cidade de São Paulo. Os três novos óbitos confirmados se somam ao de Renan Ribeiro Cardoso, 22, o primeiro a não resistir à espera por um leito de terapia intensiva na cidade com a maior estrutura de saúde do país. O jovem morreu no dia 13 deste mês após aguardar 46 horas por um leito de UTI que só foi disponibilizado 19 minutos depois de ele morrer. O pai da vítima, Valmírio Lopes Cardoso, 49, também está hospitalizado com Covid-19. Os quatro óbitos ocorreram em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), locais que têm sido a porta de entrada para os atendimentos de pacientes com Covid-19, mas sem estrutura adequada para atender casos mais graves. Como nesta segunda onda da pandemia a piora do quadro clínico dos pacientes tem ocorrido em maior velocidade, as pessoas que têm dado entrada nas UPAs já chegam em péssimas condições clínicas. Os hospitais que têm estrutura de UTI não têm dado conta da explosão de pedidos por leitos, o que tem gerado óbitos na fila de espera. Último dado disponibilizado pela Secretaria Municipal da Saúde da gestão de Bruno Covas (PSDB) apontava que 606 pessoas com Covid-19 aguardavam por uma UTI na metrópole. Em todo o estado de São Paulo ao menos 1.500 pessoas estão na fila por um leito de internação intensiva, segundo balanço do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde). Deusira Cruz, 72, morreu na última quarta (24), na UPA Campo Limpo, zona sul; Claudenor Cavalcante, no dia 21, na UPA Julio Tupy, em Guaianases, na zona leste; e Josepha Maria Silva, no dia 18, na UPA de Ermelino Matarazzo, também na zona leste. O óbito de Josepha ainda tem outro implicador. Ela deu entrada na UPA de Ermelino Matarazzo no dia 8 deste mês. Dois dias depois, a unidade registrou um problema no fornecimento de oxigênio aos pacientes. Dez internados foram transferidos às pressas para hospitais da região e, depois do episódio, três morreram. As investigações buscam saber se a falha causou os óbitos. Josepha resistiu ao problema no dia 10, mas seu quadro de saúde só piorou depois da falta momentânea de oxigênio, o que será apurado em inquérito do Ministério Público. Ela morreu no dia 18. Deusira precisou ser intubada na UPA do Campo Limpo. O quadro de saúde da paciente piorou quando os rins dela pararam de funcionar. Segundo a secretaria de Saúde, ela teve seu nome incluído na Cross (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde) no dia 16. Ficou internada por oito dias e morreu, também à espera de uma UTI, nesta última quarta-feira (24). O caso de Claudenor seguiu o mesmo script das demais vítimas. Aguardou vaga numa UTI após se internar na UPA de Guaianases por nove dias. Ele morreu no último domingo (21). Em comunicado à imprensa, a gestão de Bruno Covas disse que a capital paulista possui, no momento, 1.349 leitos de UTI, e 1.241 de enfermaria para Covid-19. Nesta quinta (25), Covas anunciou que seriam criados mais 240 leitos -60 de UTI e 180 de enfermaria; além de outros 55 para casos não relacionados à Covid-19. Antes da pandemia, diz nota da pasta da Saúde, a cidade de São Paulo contava com 507 leitos de UTI.