Sobre responsabilidade e equilíbrio

Um amigo jornalista me contou que, nas escolas de comunicação, ensinam uma máxima: se um cachorro morde um homem, isso não é notícia, mas, se um homem morde um cachorro, aí, sim, tem-se uma notícia. O que vejo hoje na mídia, porém, parece inverter a lógica tradicional do bom jornalismo.

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Segundo a mídia brasileira, “bolsonarista” é adjetivo pejorativo. Em que manual de redação definiu-se essa abordagem? Qual teria sido a cobertura midiática se o episódio de um corretor ligado a uma facção criminosa insinuasse alguma ligação com o presidente Bolsonaro? Imagino manchetes em letras garrafais nas primeiras páginas, quando as possíveis ligações desse caso com outro candidato a presidente da República ganharam apenas um cantinho de página.

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Vejo desbalanços o tempo todo, e o alvo é sempre o mesmo: o nosso lado. Sei que merecemos críticas, porque todo governo as merece, é do jogo democrático. Mas na cobertura sobre o governo Bolsonaro há sempre uma conjunção adversativa — mas, porém... Por quê?

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Vivemos numa democracia e, como parte de um governo que defende a liberdade de cada cidadão, defendo sempre a liberdade de imprensa. Faço isso não apenas como ministro, mas como cidadão, pai de três crianças. Quero vê-las crescer num país ordeiro, equilibrado.

Estamos num momento especial. As disputas eleitorais, de todos os lados, estão muito acirradas. Justamente por isso, precisamos de uma mídia muito equilibrada, que entenda o papel da moderação.

Hoje no Brasil temos uma turma de intolerantes que se dizem tolerantes. Eles promovem e alimentam tensões, quando deveriam ter o bom juízo por dever de ofício.

Ora, há tantos e tão bons debates a promover. O 5G, por exemplo, uma paixão que me move. Na mídia, a nova tecnologia tem pouco espaço, mesmo sendo algo tão profundamente transformador. O 5G tem impactos enorme no agronegócio —uma força do nosso país —; na telemedicina, fazendo chegar os melhores recursos da saúde a todos os cantos do Brasil, remotamente; na educação; na indústria. Ou o Pix, um meio de pagamento eletrônico instantâneo e gratuito, desenvolvido pelo Banco Central, que já alcançou a marca de 73 milhões de transações por dia, promovendo a inclusão financeira de milhões de brasileiros.

Ou na economia... Ao lermos jornais ou vermos TV, parece que o Brasil enfrenta uma crise somente nossa. Ora, em meio a um cenário de crise e guerra, nosso PIB deverá crescer 2% neste ano e o dos Estados Unidos, decrescer. No começo do ano, os porta-vozes do caos previram justamente o contrário. Não se fala que o aumento dos preços, infelizmente, é um fenômeno que assombra União Europeia ou América do Sul. Nos Estados Unidos, a inflação dos últimos 12 meses foi a 9,1%, a maior taxa em mais de 40 anos. Por aqui, as projeções são de arrefecimento graças a respostas articuladas em bom tempo.

Podemos falar ainda sobre os avanços que o país tem feito na geração de empregos e na melhoria do ambiente de negócios. Há bons programas do governo voltados ao empreendedorismo, à melhoria da infraestrutura, ao equilíbrio das contas públicas, ao avanço das políticas sociais. Há a privatização da Eletrobras, as mudanças em marcos legais, como o novo marco do saneamento, a reforma da Previdência, concessões. Avanços feitos nos últimos três anos e meio.

Há, ainda, informações a ser prestadas pela mídia ao cidadão quando o governo promove acesso digital a serviços públicos, reduz impostos, vacina 170 milhões de brasileiros contra a Covid-19, quando o país colhe três safras de grão com o mundo à beira de uma crise alimentar.

É fundamental que cada um de nós se comprometa com o equilíbrio, com o compromisso com o que é verdadeiro, quer se goste ou não dos dados de realidade.

É na mídia que vamos buscar esse equilíbrio, de forma neutra, cobrindo os dois (ou mais) lados com sensatez. Esse papel é insubstituível.

*Fábio Faria é ministro das Comunicações

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