Sobrevivência das 'lojas de 100 ienes' no Japão é ameaçada por inflação alta e moeda mais fraca

A supremacia das lojas japonesas de 100 ienes (menos de R$ 4), um símbolo de longos anos de uma economia de preços baixos (ou menores) por quase três décadas, está começando a definhar.

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O iene mais desvalorizado está elevando os preços de bens importados, energia elétrica e matérias-primas, fazendo com que lojas como a Daiso Industries, Seria e outras varejistas de "100 ienes" tenham dificuldade de operar em um ambiente inflacionário.

O mercado japonês das lojas de 100 ienes, avaliado em US$ 7 bilhões, encontra dificuldades para entender como repassar os preços mais altos para os consumidores acostumados com a deflação. O desafio é maior principalmente porque os salários não estão aumentando.

Os esforços de mais de uma década do Banco do Japão para estimular a inflação não levaram a um ciclo econômico saudável da economia de aumento da renda e dos preços de bens e serviços.

"Um iene mais barato" é o que Minoru Akaike e outros consumidores procuram quando vão às lojas de 100 ienes. O operário, de 40 anos, esteve recentemente em uma loja da Daiso em Tóquio, procurando uma esponja para lavar louça a um preço mais em conta do que em supermercados locais.

Como as dollar stores nos Estados Unidos, os estabelecimentos de 100 ienes no Japão se tornaram lojas de conveniência em que se mantém o controle dos gastos na caixa registradora. Ao contrário das similares americanas, no entanto, os outlets japoneses atendem a públicos amplos e com diversos níveis de renda ao oferecer de tudo, de cosméticos e artigos de papelaria até utensílios de cozinha e ração para gatos.

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Os fornecedores têm buscado maneiras de aumentar os preços dos produtos entregues à B-One, uma loja de 100 ienes na área de Kanda, em Tóquio. O iene fraco e os custos crescentes de energia e materiais estão dificultando a sustentação deste modelo de negócios que depende de margens de lucro reduzidas e alto volume de vendas, segundo o gerente da loja, que pediu para não ser identificado porque a informação não é pública.

Ele contou à Bloomberg que um fornecedor de sacolas de lixo recentemente aumentou os preços. Então, para não repassar a alta aos consumidores, a loja optou por reduzir a quantidade de itens em cada caixa, prática conhecida no Brasil como reduflação.

A Seria, que opera em torno de 1.700 lojas no Japão, prevê um aumento de 4,2% nas vendas para o ano fiscal até março, enquanto alerta que o lucro operacional cairá 16%, o que representará 17,5 bilhões de ienes.

Can Do, outra loja de 100 ienes, afirmou recentemente em um balanço que as "condições se mantêm desafiadoras devido aos custos de materiais e à situação na Ucrânia".

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Nos Estados Unidos, onde a inflação disparou, as dollar stores não vendem mais itens por um dólar. Este ano, a Dollar Tree elevou o preço padrão da maioria dos produtos para US$ 1,25, abandonando a abordagem que deu nome aos estabelecimentos.

No passado, as lojas de 100 ienes foram capazes de responder a momentos de fraqueza da moeda japonesa e de custos mais altos de materiais com a técnica de reduzir as quantidades em cada embalagem, mas agora isso está se tornou mais difícil, uma vez que os fornecedores não estão acostumados a mudanças repentinas de preços após um longo período de estabilidade, de acordo com Kuni Kanamori, analista de varejo da SMBC Nikko Securities.

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Empresas japonesas dizem que conseguem repassar no máximo 44% dos aumentos ao consumidor médio, de acordo com uma pesquisa deste mês realizada pela consultoria Teikoku Databank. Cerca de 15% dos entrevistados responderam que não conseguem repassar os aumentos de forma alguma.

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